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Estudo sobre os Dons Espirituais

Quando Paulo iniciou o décimo segundo capítulo da carta aos Coríntios, tinha uma preocupação quanto à ignorância dos cristãos daquela cidade sobre os dons espirituais. ?Não quero, irmãos, que sejais ignorantes a respeito dos dons espirituais?. (I Co. 12:1). Ainda hoje a Igreja do Senhor continua em dificuldades a respeito deste assunto tão polêmico. Em algumas igrejas o assunto é esquecido e proibido falar, enquanto em outras , o excesso ultrapassa até o ensino bíblico. Como a carta não foi direcionada a uma pessoa em particular, mas para a igreja de Corinto na sua totalidade, o conhecimento dos dons espirituais faz parte do crescimento espiritual do Corpo de Cristo. Assim como os cincos sentidos do homem ? Olfato, paladar, visão, audição e tato ? o fazem entrar em contato com o mundo ao seu redor, os noves dons espirituais faz o cristão entrar em contado com o mundo espiritual. Uma pessoa sem um dos sentidos é conhecida como ?deficiente físico?, uma igreja sem os dons é conhecida como ?deficiente espiritual?. Paulo faz uma lista de nove dons colocados em três grupos, mas inseparáveis:

CLASSIFICAÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS

1º) Dons de Revelação ou Conhecimento – São três que revelam algo :

a) Dom da Palavra de Sabedoria;
b) Dom da Palavra do Conhecimento;
c) Dom de discernimento de Espíritos.

 2º) Dons de Expressão Vocal ou Falar – São três que dizem algo:
a) Dom de Profecia;
b) Dom de variedades de línguas;
c) Dom de interpretações de línguas.

3º) Dons de Realizar ou Poder – São três que fazem algo; 
a) Dom da fé;
b) Dom de operações de milagres;
c) Dons de curar

OS DONS ESPIRITUAIS

DOM DA PALAVRA DE SABEDORIA

Definição: O Espírito Santo revela de modo sobrenatural o plano e qual o propósito de Deus ao individuo para o futuro , através de uma Palavra de sabedoria. É uma palavra somente, e não toda a sabedoria de Deus, pois é impossível para o ser humano ter toda a sabedoria. Devemos entender que não se trata da sabedoria natural que o homem utiliza para o dia a dia, pois essa Tiago 1:5 diz que podemos pedir que Deus dá a todos liberalmente. A Bíblia fala de três tipos de sabedoria : l) Aquela que chamamos de Sabedoria humana para as questões da nossa vida; 2) A sabedoria Satânica usada para o mau e 3) A Sabedoria de Deus que usamos para engrandecer o Criador. De acordo com a Palavra de Deus esse dom atua em conjunto com o dom do conhecimento. (Atos: 9:10-16, 11:28-30; )Sabemos que nos últimos dias o dom da palavra de Sabedoria estará atuando grandemente no seio da Igreja do Senhor.

DOM DA PALAVRA DO CONHECIMENTO

Definição: É uma revelação sobrenatural do Espírito Santo ao ser humano de fatos e informações que seriam impossíveis de serem conhecidos se não fossem liberados da mente de Deus e pode envolver pessoas, lugares e objetos.É uma palavra de conhecimento do presente ou de alguma coisa do passado que Deus quer revelar, para que seu nome seja engrandecido e glorificado. Observe que é ?palavra?, não todo conhecimento. Deus só quer revelar uma pequena porção, por isso é chamado de ?palavra do conhecimento?. Só Deus possue todo conhecimento e através desse dom traz a luz aos seus filhos aquilo que Ele deseja que saibamos. (Atos 10:9-20; João 4).
Não pode ser confundido com o conhecimento que obtemos através de habilidades naturais, estudos ou experiências, pois é unicamente ?manifestação do Espírito?. (I Co. 12:7).

DOM DO DISCERNIMENTO DE ESPÍRITOS

Definição: Habilidade conferida pelo Espírito Santo para reconhecer a identidade dos espíritos que estão envolvidos nas atividades terrenas, bons ou maus É um dom que traz clareza a igreja do Senhor, traz a luz as confusões e orienta. Tem como propósito proteger, guardar, guiar e alimentar os Filhos de Deus. (Atos 16:16-18). Hoje estamos passando por manifestações sobrenaturais e muitas vezes o povo de Deus não sabe de onde vem, se de Deus ou do diabo. Nem todo milagre está vindo de Deus pois Satanás também é um espírito sobrenatural. Este dom não é liberado para julgamento do próximo,(Mt. 7:1), nem para achar falhas de caráter nas pessoas, mas unicamente para discernir os espíritos. Não se engane, quem possue esse dom não fica a tentar conhecer as pessoas interiormente. É uma farsa! Este dom é acompanhado pela habilidade divina para resistir aos espíritos e sair vencedor.

O DOM DA FÉ

Definição: É a liberação dada pelo Espírito Santo de Deus para que aquele que crê possa receber os milagres em sua vida cristã. Crer em Deus para aquelas causas impossíveis sabendo de antemão que esta é a vontade divina e que a resposta é certa. Para você entender com clareza, precisa saber que a Bíblia fala de quatro tipos de fé. 1) Fé Salvadora ( João 1:12; Ef. 2:8). A fé que nos faz entrar no Reino de Deus. 2) Fé Geral. (Rm. 12:3). Fé que cada servo de Deus possue e pode ser aumentada conforme se alimenta da Palavra de Deus e pratica, receber o Batismo com o Espírito Santo, resposta de oração, cura. Etc…; 3) O fruto da fé (Gl. 5:22,23). A fidelidade é como um fruto que cresce na vida do cristão para colocá-lo num patamar espiritual esperado por Deus para nossas vidas. 4) O Dom da fé (I Co. 12:9). Observe que este dom não é para todos, mas somente para aqueles que o Espírito Santo quer. Podemos dizer que se trata de uma fé especial que Deus concede aos seus para que possam receber milagres. (Gl. 3:5).

O DOM DA OPERAÇÃO DE MILAGRES

Definição: É uma intervenção sobrenatural às leis da natureza mediante o Espírito Santo. Sendo o Cristianismo fundamentado unicamente no sobrenatural, podemos acompanhar na Bíblia as manifestações miraculosas através de pessoas que cooperaram com Deus. Sem os milagres a igreja não anuncia um evangelho completo (Hb. 2:4). Os milagres acontecem quando o homem é dirigido pelo Espírito Santo e obediente a vontade divina. Os propósitos dos milagres são para a edificação e fortalecimento da fé, atua na libertação e cuidado do povo de Deus na terra. Assim como Jesus atraia multidões através dos milagres operados, a Igreja do Senhor deve prosseguir da mesma maneira. Os milagres acompanharão aos que crêem. (Mc. 16-15-20).

OS DONS DE CURAS

Definição: É o único dom que está no plural, pois opera em vários níveis de curas, pois existem vários tipos de doenças e enfermidades. Sempre acompanhado por uma medida do dom da fé e também pelo dom da palavra do conhecimento, os dons de curar é uma habilidade dada pelo Espírito Santo para que o corpo humano seja liberto das enfermidades. Faz parte do evangelho pleno, completo, onde as pessoas são salvas, curadas, libertas, transformadas e passam a desfrutar da vida eterna. A cura pode ser instantânea (Mt;8:3), pode ocorrer também através da comunhão (I Co. 11:27 a 34). Quanto mais a igreja estiver unida num só corpo espiritual, menos probabilidade de doenças haverá no seu seio. Se você possui grande compaixão por aqueles que estão doentes e sofrendo qualquer tipo enfermidades, é possível possuir os dons de curas. O propósito deste dom é para que o povo do Senhor tenha saúde total: corpo, alma e espírito. É importante que você fique sabendo que a enfermidade não provém de Deus e sim de Satanás. (Atos 10:38) Leia Ex. 15:25,26; SL 103:2,3; 105:37; Is. 53:4 e 5; III João 2.

O DOM DA PROFECIA

Definição: O dom da profecia é o mais importante dos três dons da fala, pois é necessário o dom de variedades de línguas e o dom de interpretação de línguas para igualar-se ao dom da profecia.(I Co.14:5). A profecia é transmitida numa língua conhecida e conforme a Palavra de Deus em I Co. 14:3, tem como propósito edificar, exortar e consolar. Edificar significa construir, erguer com pedras no lugar pré-estabelecido. Exortar significa encorajar, aconselhar e prevenir. Consolar significa confortar com meiguice. Quem profetiza fala em nome de Deus. Paulo aconselha a Igreja de Cristo a buscar o dom da profecia, pois quem profetiza fala o recado de Deus aos homens. Biblicamente sabemos que existe o dom da profecia e o ministério do profeta. Observe que no simples dom da profecia não existe revelação. Aquele que possue o ministério profético vemos com freqüência a revelação ser utilizada, porque existem mais dons envolvidos, como Palavra de sabedoria e Palavra de conhecimento. Conforme vimos acima, esses dons fazem parte dos dons de revelação. Atos 21:8-11 relata um exemplo claro do dom comum da profecia e do ministério profético. As sete filhas de Filipe possuíam o dom da profecia, portanto edificavam, exortavam e consolavam. Nenhuma delas entregou uma mensagem para Paulo do que iria ocorrer em Jerusalém. Para isso Deus enviou Ágabo, homem com ministério profético, possuidor dos dons de revelação para avisar Paulo o que iria acontecer alguns dias futuro. Pegou o cinto de Paulo e amarrou suas próprias mãos e pés, entregando a profecia em seguida: ?Assim os judeus em Jerusalém farão ao dono deste cinto, e o entregarão nas mãos dos gentios? At.21:11. Pregar não é profetizar, embora quem prega também pode ser usado pelo Espírito Santo para profetizar. Precisamos ter cuidado para não abusar deste dom tão importante.

O DOM DE VARIEDADES DE LÍNGUAS

Definição: É a expressão vocal ou habilidade dada pelo Espírito Santo para que haja comunicação numa língua desconhecida. É o mais polêmico de todos os nove dons, pois a maioria dos cristãos desconhece que a Bíblia apresenta três categorias de línguas. Em primeiro lugar a Bíblia fala das línguas que todo crente fala quando recebe o Espírito Santo. (At.2:4-6; 10:45 a 47 e 19:6). Depois fala das línguas usadas freqüentemente para a comunhão pessoal com o Criador. (I Co. 14:1 -4 ; Romanos 8:26; Efésios 6:18 e Judas 20). E por último as línguas faladas quando a igreja está reunida para comunicar ao Corpo alguma mensagem por meio da interpretação de línguas, o que chamamos de dom de variedades de línguas. ( I Co. 12:10; 14:5; 21-22). Foi exatamente isso que o Senhor revelou a Paulo para corrigir a Igreja de Corinto. Em Marcos 16:17 o próprio Senhor deixou claro que os salvos falariam novas línguas. O dom de variedade de línguas é para a edificação do Corpo de Cristo, desde que seja interpretada, senão não há mensagem alguma a não ser para quem está falando. Ninguém saberá o que Deus está querendo dizer. Agora, o enchimento do Espírito Santo, que é a primeira língua que Paulo disse que todos deveriam falar, é para edificação individual e não do Corpo de Cristo. O dom de variedades de línguas tem também como propósito ser um sinal ao incrédulo. (I Cor. 14:21-22).Variedades de línguas com interpretação equivalem a profecia. O dom de variedades de línguas não é para todos na igreja, mas o enchimento do Espírito Santo é para todos. (I Co. 14:27,28 ? 14:5).

O DOM DE INTERPRETAÇÃO DE LÍNGUAS

Definição: É uma revelação sobrenatural do Espírito Santo dando um significado daquilo que está sendo falado em variedades de línguas. Jamais pode ser uma tradução, pois vemos servos de Deus falando em variedades de línguas alguns minutos e quando a interpretação é feita, somente algumas palavras são ditas, ou vice-e-versa. Veja o exemplo em Daniel 5:25. A mão escreveu na parede: MENE,MENE,TEQUEL E PARSIM. A interpretação foi nove vezes maior. A interpretação de variedades de línguas na nossa vida particular de oração e simplesmente extraordinária. Imagine voce saber o que está orando em línguas, sendo o falar em línguas um mistério com Deus? Não há nenhuma interrupção, não há ninguém entendendo (muito menos os demônios). Tenho certeza que Deus, algumas vezes, quer que saibamos o que estamos orando, pois isso já aconteceu comigo. Você ora em línguas e o Espírito Santo usa você mesmo para interpretar. Esta é a intimidade que Deus quer ter conosco, mas infelizmente o diabo tem mantido muito crente prisioneiro referente a este importante assunto bíblico. Veja o quanto você já perdeu em não falar em línguas. Além do aspecto particular, o Espírito Santo pode levantar você com o dom de interpretação de línguas na igreja, perante o Corpo de Cristo. O Espírito Santo deixou bem claro que tudo seria com decência e ordem. (1 Co. 14:40). Jamais podemos sair da reunião confusos, pois Deus não é Deus de confusão, mas de paz. (I Co. 14:33). Tudo que fazemos para o Senhor é feito para a edificação (I Co. 14:26) e não para a destruição. Quem destrói é o diabo, pois ele veio para matar, roubar e destruir , mas Jesus veio para nos dar vida e vida em abundancia. Procure uma igreja verdadeira onde a Palavra de Deus é ensinada e que o Espírito Santo esteja presente, senão teremos mais uma igreja ?deficiente espiritual?.

Escrito por: Pr Lineas Domiciano

 Fonte: http://www.ifamilia.com.br/index/index.php?option=com_content&view=article&id=70:dons-espirituais&catid=68:espirito-santo&Itemid=61

Paracletologia: Doutrina do Espírito Santo

1. DEFINIÇÃO DE PARACLETOLOGIA

Paracletologia é uma palavra formada por duas palavras gregas: paracletos (que significa.  Ajudador,  Consolador,  advogado)  e  Logia  (que  significa  estudo, doutrina).  A  Paracletologia  estuda  de  uma  forma  sistemática  tudo  o  que  se refere  ao  Espírito  Santo  (chamado  por  Jesus  de  Consolador).  A  Paracletologia também é conhecida como Pnematologia.

A  Paracletologia  divide‐se,  na  Bíblia  em  dois  períodos:  o  do  Antigo  e  do Novo Testamento.  No  AT,  as  atividades  e  as manifestações  do  Espírito  Santo  eram esporádicas,  específicas  e  em  tempos  distintos.  No  N.T.,  começa  no  dia  de Pentecostes,  quando  suas  atividades  se  concretizam  de  maneira  direta  e contínua através da Igreja. No AT, Ele se manifestava em circunstâncias especiais.

No N.T., veio para morar nos corações dos crentes e enche‐los do seu poder.

2. A DEIDADE DO ESPÍRITO SANTO 

2.1 O ESPÍRITO SANTO É DEUS:

Esta declaração é comprovada na Bíblia e na experiência humana. Ele não é um deus  entre os outros. As  escrituras  relatam um  episódio nos  primeiros dias da igreja, em  Jerusalém, quando Ananias e  Safira  tentaram enganá‐lo. Ele  revelou ao  apóstolo  Pedro  que  o  casal  mentia,  conforme  registra  Atos  5.3:  “Por  que encheu  Satanás  o  teu  coração,  para  que  mentisses  ao  Espírito  Santo?  Não

mentistes aos homens, mas a Deus”.

A deidade do Espírito Santo está implícita na do Pai e do Filho. Ela é a mesma nas três  pessoas. Não  se  separa, mas  pertence  a mesma  essência  divina  do  único Deus.

 2.2 ATRIBUTOS DO ESPÍRITO SANTO

 Há três atributos pertencentes a deidade de cada uma das pessoas da Trindade que  são:  Onipotência,  Onisciência  e  Onipresença.  Estes  atributos  não  foram conferidos a anjos nem aos homens.

a) Onipotência: Por  onipotência  se  entende  que  todo  o  poder  que  há  no  Universo  físico  ou espiritual, tem sua origem em Deus.

O poder do Pai é o mesmo existente no Filho e no Espírito Santo. Então em sua onipotência, o Espírito Santo faz o que lhe apraz, realizando milagres e prodígios (Rm  15.19  por  força  de  sinais  e  prodígios,  pelo  poder  do  Espírito  Santo;  de maneira que, desde Jerusalém e circunvizinhanças até ao Ilírico, tenho divulgado o evangelho de Cristo,

b) Onisciência: Onisciência  vem  de  duas  palavras  latinas:  “OMINES”  que  significa  TUDO  e “SCIENTIA” que quer dizer CIÊNCIA. O Espírito Santo, do mesmo modo que o Pai e o  Filho,  tem  total  conhecimento de  todas  as  coisas.  Sua  sabedoria  é  infinita, singular  e  indescritível.  Ele  sabe  tudo  acerca  de  si  mesmo  e  do  que  criou  Sl139.2,11,13 (SENHOR, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me  levanto;  de  longe  penetras  os meus  pensamentos.  Esquadrinhas  o  meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos. Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda). Conhece os homens profundamente 1 Rs 8.39 (ouve tu nos céus, lugar da tua habitação, perdoa, age e dá a cada um segundo todos os seus caminhos, já que lhe conheces o coração, porque  tu,  só  tu,  és  conhecedor  do  coração  de  todos  os  filhos  dos  homens;). Ninguém pode esconder dele coisa alguma. Nem um só pensamento nosso passa despercebido do Espírito Santo Jr 16.17 (Porque os meus olhos estão sobre todos os  seus  caminhos;  ninguém  se  esconde  diante  de mim,  nem  se  encobre  a  sua iniqüidade aos meus olhos).

c) Onipresença: O Espírito Santo penetra em todas as coisas e perscruta o nosso entendimento,

pois  ele  está  presente  em  toda  a  parte.  Ele  não  se  divide  em  várias manifestações, porque sua presença é total em cada lugar onde estiver: Sl 139.7‐10 ( Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá  estás  também;  se  tomo  as  asas  da  alvorada  e me  detenho  nos  confins  dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá.

 3. ESPÍRITO SANTO É UMA PESSOA

 3.1 A PERSONALIDADE DO ESPÍRITO SANTO

Um dos atributos da deidade é a personalidade que cada uma das três pessoas divinas  possui.  Às  vezes  atribuímos  à  personalidade  uma  forma  corpórea.

Entretanto,  Deus  é  Espírito,  sem  necessidade  de  corpo  material.  Identifica‐se como pessoa alguém que manifeste qualidades, como o  falar, o sentir e o  fazer alguma coisa racional.

 3.2 PRONOMES CONFERIDOS AO ESPÍRITO SANTO

 Em João 16.8,13,14 encontramos algumas vezes o pronome ele, aquele (no grego ekeinos) que  indicam a pessoa do Espírito Santo. Em  João 14.16, encontra‐se a expressão “outro Consolador”. Ela, mais uma vez,  identifica a personalidade do Espírito  Santo.  A  palavra  “outro”,  usada  por  Jesus,  no  grego  “ALLOS”,  significa “outro do mesmo tipo”. O Filho de Deus revelou‐se como pessoa, mas  falou de outra que Ele enviaria após sua subida para o céu.

Consolador no grego é “Paracleto” que significa:

1) chamado, convocado a estar do lado de alguém, . convocado a ajudar alguém

1a)  alguém  que  pleiteia  a  causa  de  outro  diante  de  um  juiz,  intercessor, conselheiro de defesa, assistente legal, advogado;

1b) pessoa que pleiteia a causa de outro com alguém, intercessor;

1b1) Cristo em sua exaltação a mão direita de Deus, súplica a Deus, o Pai, pelo perdão de nossos pecados;

1c) no sentido mais amplo, ajudador, amparador, assistente, alguém que presta

socorro;

1c1)  É Nome  dado  Santo  Espírito,  destinado  a  tomar  o  lugar  de  Cristo  com  os apóstolos  (depois  de  sua  ascensão  ao  Pai),  a  conduzi‐los  a  um  conhecimento mais profundo da verdade evangélica, a dar‐lhes a  força divina necessária para capacitá‐los  a  sofrer  tentações  e  perseguições  como  representantes  do  reino divino.

 3.3 ATRIBUTOS PESSOAIS DO ESPÍRITO SANTO

 Através  da  Bíblia,  o  Espírito  Santo  é  revelado  como  Pessoa,  com  sua  própria individualidade. Ele é uma Pessoa divina como o Pai e o Filho. O Espírito Santo não é mera influência ou poder. Ele tem atributos pessoais, a saber:

a) O Espírito Santo Pensa (Rm 8.27) E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos.

b)  O  Espírito  Santo  tem  Vontade  Própria  (1Co  12.11) Mas  um  só  e  o mesmo Espírito  realiza  todas  estas  coisas,  distribuindo‐as,  como  lhe  apraz,  a  cada  um, individualmente.

c) O Espírito Santo Sente Tristeza (Ef 4.30) E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.

 d) O Espírito  Santo  Intercede  (Rm 8.23) Também o Espírito,  semelhantemente, nos assiste em nossa  fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis.

e) O Espírito Santo Ensina (Jo 14.26) mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.

f)  Espírito  Santo  Fala  (Ap 2.7) Quem  tem ouvidos, ouça o que o  Espírito diz  às igrejas:  Ao  vencedor,  dar‐lhe‐ei  que  se  alimente  da  árvore  da  vida  que  se encontra no paraíso de Deus.

g) Espírito Santo Comanda (At 16.6,7) E, percorrendo a região frígio‐gálata, tendo sido  impedidos  pelo  Espírito  Santo  de  pregar  a  palavra  na  Ásia,  defrontando Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu. Espirito Santo é suscetível de trato pessoal:

 a) Alguém pode mentir para o Espírito Santo (At 5.3) Então, disse Pedro: Ananias, por  que  encheu  Satanás  teu  coração,  para  que  mentisses  ao  Espírito  Santo, reservando parte do valor do campo?

b)  Pode‐se  Blasfemar  contra  o  Espírito  Santo  (Mt  12.31)  Por  isso,  vos  declaro: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada.

 4. OS NOMES DO ESPÍRITO SANTO

 Os nomes do Espírito Santo nos  revelam muita coisa a  respeito de quem ele é. Embora o nome Espírito Santo não ocorra no Antigo Testamento, vários  títulos equivalentes são usados. Os principais nomes do Espírito Santo são:

a)  Espírito  de  Deus  de  Yahweh  (hb.  Ruach  YHWH),  ou,  conforme  consta  nas Bíblias  em  português,  “o  Espírito  do  Senhor”.  Yahweh  significa  aquele  que  faz existir. O  título Senhor dos Exércitos é melhor  traduzido como “aquele que cria as hostes”, tanto as hostes celestiais  (as estrelas, os anjos) quanto as hostes do povo  de Deus. O  Espírito  de  Yahweh  estava  ativo  na  criação,  conforme  revela Gênesis 1.2, com referência ao “Espírito de Deus” (hb. ruach ‘elohîm).

 b) O  Espírito  de  Cristo.  Com  esse  título  é  acentuada  a  união  do  Espírito  Santo com Cristo. Como tal ele é a vida Rm 8.9 (Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse  tal não é dele),  traz  frutos de Cristo  (Fl. 1.11).  revela os mistérios de Cristo (Jo 14.16) e toma o lugar dos arrebatados na terra (Jo 14.16‐18).  Toda  e  qualquer  operação  do  Espírito  Santo  enfim,  é  para  glorificação  de Jesus Cristo;

 c) Espírito da Vida. O Espírito da vida Deus dá a cada crente ao nascer de novo, vida nova e eterna. Ele substitui a lei reinante do pecado e da morte com a lei da vida (Rm 8.2 ( Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado  e  da morte). O  que  estava morto  em  ofensas  e  pecados  (Ef  2.1;  2  Co 5.17), Ele vivifica no novo nascimento.

d)  Espírito  da Adoção  de  Filhos  Rm  8.15  (Porque  não  recebestes  o  espírito  de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção,  baseados  no  qual  clamamos:  Aba,  Pai.). O  conceito  bíblico  de  filiação perdeu‐se totalmente nos nossos dias, por causa da  idéia de “adoção”.  Isto não quer  dizer  que  um  estranho  será  acolhido  como  criança  numa  família  e  usa  a seguir  o  nome  da  família.  É  antes  uma  transferência  legal  de  uma  criança  na condição de um  filho adulto ou uma  filha que alcançou a maioridade. O  termo melhor  hoje  seria  a  parceria.  Nós  fomos  acolhidos  na  família  divina,  enchidos pelo Seu Espírito e dotados com nova e eterna vida.

e) Espírito da Graça. Hb 10.29 (De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor  aquele  que  pisar  o  Filho  de Deus,  e  tiver  por  profano  o  sangue  do testamento,  com  que  foi  santificado,  e  fizer  agravo  ao  Espírito  da  graça?).  A Bíblia  qualifica  como  pecadores obstinados  estes,  que  pisam  com  os  pés  o Espírito  da  Graça.  Pelo  Espírito  da  graça  é  oferecida  livremente  a  todos  os homens a dádiva da  graça divina. Por  isso qualquer acréscimo humano,  justiça por obras e melhoramentos adâmicos são abominação para o Espírito Santo.

f) Espírito da Glória 1 Pe 4.14 (14 Se, pelo nome de Cristo, sois  injuriados, bem‐aventurados  sois,  porque  sobre  vós  repousa  o  Espírito  da  glória  e  de  Deus).

 Glória nesse caso tem a ver com adoração, honra, estima, elogio e dedicação que são  despertados  no  crente  pelo  Espírito  Santo.  Somente  podemos  adorar  e chegar  a  glória  de  Deus,  conforme  o  Espírito  Santo  nos  capacita  para  isto.  O demais é adoração imitada, não é revelação do Espírito da Glória. Quando Ele se manifesta numa reunião, percebe‐se sem chamara a atenção.

5. OS SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO

 Os  símbolos  oferecem  quadros  concretos  de  coisas  abstratas.  Os  símbolos  do Espírito  Santo  também  são  arquétipos.  Em  literatura  arquétipo  é  uma personagem,  tema ou  símbolo  comum a  várias épocas e  culturas. Em  todos os lugares,  o  vento  representa  forças  poderosas,  porém  invisíveis;  a  água  límpida que  flui  representa o poder e o  refrigério sustentador da vida a  todos que  têm sede,  física  e  espiritual;  o  fogo  representa  uma  força  purificadora  (como  a

purificação  de minérios)  ou  destruidora  (freqüentemente  citada  no  juízo.  Tais símbolos representam qualidades intangíveis porém genuínas.

a) Vento. A palavra hebraica ruach pode significar “sopro”, “espírito” “ou vento”. É  empregada  paralela  com  nephesh.  O  significado  básico  de  nephesh  é  “ser  vivente”,  ou  seja,  tudo  que  têm  fôlego.  A  partir  daí  seu  alcance  semântico desenvolveu‐se a tal ponto de referir‐se a quase todos os aspectos emocionais e espirituais  do  ser  humano  vivente.  A  palavra  grega  pneuma  tem  um  alcance semântico quase  idêntico ao de ruach. O vento, como símbolo, fala da natureza

invisível do Espírito Santo, conforme  revela  João 3.8  (O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito). Podemos  ver e  sentir os efeitos do  vento  , mas ele próprio não é visto.

b) Água. A água, assim como o fôlego, é necessária ao sustento da vida. O fôlego e a água,  tão  vitais nas necessidades  físicas humanas,  são  igualmente  vitais no âmbito do espírito. Sem o  fôlego vivificante e as águas  vivas do Espírito Santo, nossa  vida espiritual não demoraria murchar e  ficar  sufocada. O  Espírito  Santo flui  da  palavra  como  águas  vivas  Jo  7.38,  39  (Quem  crer  em mim,  como  diz  a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao

Espírito que haviam de  receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento  não  fora  dado,  porque  Jesus  não  havia  sido  ainda  glorificado)  que sustentam e refrigeram o crente.

c) Fogo. O aspecto purificador do fogo é refletido claramente em Atos 2. No dia de Pentecostes  são  “línguas de  fogo” que marcam a  vinda do Espírito  (At 2.3). Esse símbolo é empregado uma só vez para retratar o batismo no Espírito Santo. O  aspecto  mais  amplo  do  fogo  como  elemento  purificador  encontra‐se  no pronunciamento de  João Batista:  “Ele  vos batizará  com o  Espírito  Santo e  com fogo…”  (Mt  3.11,12;  Lc  3.16,17).  As  palavras  de  João  Batista  referiam‐se mais

diretamente a separação entre o povo de Deus e os que têm rejeitado o Messias. Por outro  lado, o  fogo  ardente  e  purificador do  Espírito da  Santidade  também opera no crente (1 Ts 5.19).

d) Óleo. Zc 4.2‐6 (e me perguntou: Que vês? Respondi: olho, e eis um candelabro todo de ouro  e um  vaso de  azeite  em  cima  com  as  suas  sete  lâmpadas  e  sete tubos, um para cada uma das lâmpadas que estão em cima do candelabro. Junto a este, duas oliveiras, uma à direita do vaso de azeite, e a outra à sua esquerda. Então, perguntei ao anjo que falava comigo: meu senhor, que é isto? Respondeu‐  me  o  anjo  que  falava  comigo:  Não  sabes  tu  que  é  isto?  Respondi:  não, meu

senhor. Prosseguiu ele e me disse: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel: Não por  força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos.).

Desde os primórdios o azeite é usado primeiramente para ungir os sacerdotes de Yahweh,  e  depois,  os  reis  e  os  profetas. O  azeite  é  o  símbolo  da  consagração divina do crente para o serviço no Reino de Deus.

e) Pomba. Mt 3.16,17 (Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo). O  Espírito  Santo  desceu  sobre  Jesus  na  forma  de  uma  pomba.  A  pomba  é  o arquétipo  de mansidão  e  de  paz.  Ele  é manso  nas  tempestades  da  nossa  vida produzindo paz.

f) Selo. Ef 1.13 (em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação,  tendo nele  também crido,  fostes selados com o Santo Espírito da promessa)Nos dias bíblicos usava‐se um selo de cera como sinal de promessa e acordo. Atualmente a nossa assinatura na compra e venda pode ser comparada a isto. Na ocasião do novo nascimento o Espírito Santo põe sobre

nós  o  seu  selo  de  direito  de  propriedade.  Isto  é,  ao  mesmo  tempo,  uma promessa,  que  o  selado  tem  parte  na  consumada  obra  da  salvação. O  Espírito Santo garante assim a partir desse momento, o seu apoio e ajuda.

6. A OBRA DO ESPÍRITO SANTO. 

a) O Espírito Santo é o agente da salvação.

Nisto Ele convence‐nos do pecado (Jo 16.7,8 Mas eu vos digo a verdade: convém‐vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém,  eu  for,  eu  vo‐lo  enviarei.  Quando  ele  vier,  convencerá  o  mundo  do pecado, da justiça e do juízo) revela‐nos a verdade a respeito de Jesus (Jo 14.26 ), realiza o novo nascimento (Jo 3.3‐6), e faz‐nos membros do corpo de Cristo (1Co 12.13). Na conversão, nós, crendo em Cristo, recebemos o Espírito Santo (Jo 3.3‐6; 20.22) e nos tornamos co‐participantes da natureza divina (2Pe 1.4);

b) O Espírito Santo é o agente da nossa santificação;

Na conversão, o Espírito passa a habitar no crente, que começa a viver sob sua influência  santificadora  (Rm  8.9;  1Co  6.19).  Note  algumas  das  coisas  que  o Espírito Santo faz, ao habitar em nós. Ele nos santifica, i.e., purifica, dirige e leva‐nos a uma vida santa,  libertando‐nos da escravidão ao pecado. Ele testifica que somos filhos de Deus (Rm 8.16), ajuda‐nos na adoração a Deus e na nossa vida de oração, e  intercede por nós quando clamamos a Deus  (Rm 8.26,27). Ele produz em nós as qualidades do caráter de Cristo, que O glorificam (Gl 5.22,23).

c) O Espírito Santo é o agente divino para o serviço do Senhor,  Revestindo os crentes de poder para realizar a obra do Senhor e dar testemunho dEle. Esta obra do Espírito Santo relaciona‐se com o batismo ou com a plenitude do  Espírito.  Quando  somos  batizados  no  Espírito,  recebemos  poder  para testemunhar de Cristo e  trabalhar de modo eficaz na  igreja e diante do mundo (At 1.8). Recebemos a mesma unção divina que desceu sobre Cristo (Jo 1.32,33) e sobre os discípulos (At 2.4), e que nos capacita a proclamar a Palavra de Deus (At1.8;  4.31)  e  a operar milagres  (At  2.43;  3.2‐8;  5.15;  6.8;  10.38). Para  realizar o trabalho do Senhor, o Espírito Santo outorga dons espirituais aos  fiéis da  igreja para edificação e fortalecimento do corpo de Cristo (1Co 12—14). Estes dons são uma manifestação do Espírito através dos santos, visando ao bem de todos (1Co 12.7‐11).

7. O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO

a) Ser Cheio do Espírito: Todo  o  cristão  recebe  o  Espírito  Santo  no momento  da  conversão  e  pode  ser cheio dele sem ser batizado no Espírito Santo O Espírito Santo nos convence do Pecado Jo 16.8 (E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo). O Espírito Santo habita em nós 1 Co 6.19 (Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do  Espírito  Santo, que habita  em  vós, proveniente de Deus,  e que não sois de vós mesmos?) Nós fomos  selados  com  o  Espírito  Santo  Ef  1.13,14  (em  quem  também  vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor  da  nossa  herança,  ao  resgate  da  sua  propriedade,  em  louvor  da  sua glória);  2  Co  1.21,22  (Mas  aquele  que  nos  confirma  convosco  em  Cristo  e  nos ungiu é Deus, que  também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração);  Ef 4.30  (E não entristeçais o  Espírito de Deus, no qual  fostes  selados para o dia da redenção)

Devemos buscar ser cheios Ef 5.18 (E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei‐vos do Espírito) Exemplo de pessoas que foram cheias do Espírito Santo e não eram, batizadas: Isabel Lc 1.41 (E aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do Espírito Santo) Zacarias  Lc  1.67  (E  Zacarias,  seu  pai,  foi  cheio  do  Espírito  Santo  e  profetizou, dizendo: (Simeão Lc 2.25 (Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão; homem este justo  e piedoso que  esperava  a  consolação de  Israel;  e o  Espírito  Santo  estava sobre ele). João Batista Lc 1.15 (porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe.)

b) Ser batizado no Espírito Santo

At  1.5  “Porque,  na  verdade,  João  batizou  com  água, mas  vós  sereis  batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias.”

A respeito do batismo no Espírito Santo, a Palavra de Deus ensina o seguinte: Jesus ordenou aos discípulos que não começarem a testemunhar até que fossem batizados  no  Espírito  Santo  e  revestidos  do  poder  do  alto  Lc  24.49  (E  eis  que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que  do  alto  sejais  revestidos  de  poder.)  At  1.4,5,8  (E,  estando  com  eles, determinou‐lhes que não se ausentassem de  Jerusalém, mas que esperassem a

promessa  do  Pai,  que  (disse  ele)  de  mim  ouvistes.  Porque,  na  verdade,  João batizou  com  água, mas  vós  sereis  batizados  com  o  Espírito  Santo,  não muito depois  destes  dias. Mas  recebereis  a  virtude  do  Espírito  Santo,  que  há  de  vir sobre vós; e ser‐me‐eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.

O  batismo  no  Espírito  Santo  é  uma  obra  distinta  e  à  parte  da  regeneração, também por Ele efetuada. No mesmo dia em que Jesus ressuscitou, Ele assoprou sobre seus discípulos e disse: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20.22), indicando que a  regeneração  e  a  nova  vida  estavam‐lhes  sendo  concedidas.  Depois,  Ele  lhes disse  que  também  deviam  ser  “revestidos  de  poder”  pelo  Espírito  Santo  (Lc 24.49; cf. At 1.5,8).

O batismo no Espírito Santo outorgará ao crente ousadia e poder celestial para este realizar grandes obras em nome de Cristo e ter eficácia no seu testemunho e pregação At 1.8 (Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós;  e  ser‐me‐eis  testemunhas  tanto  em  Jerusalém  como  em  toda  a  Judéia  e Samaria e até aos confins da terra. At 4.31; 33 (Tendo eles orado, tremeu o lugar onde  estavam  reunidos;  todos  ficaram  cheios  do  Espírito  Santo  e,  com intrepidez,  anunciavam  a  palavra  de  Deus.  Com  grande  poder,  os  apóstolos davam  testemunho  da  ressurreição  do  Senhor  Jesus,  e  em  todos  eles  havia abundante graça). O livro de Atos descreve o falar noutras línguas como o sinal inicial do batismo no Espírito  Santo. No  dia  de  Pentecostes At  2.4  (Todos  ficaram  cheios  do  Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. Na casa de Cornélio At 10.44‐46 (E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão,  todos quantos  tinham vindo com Pedro, maravilharam‐se de que o dom  do  Espírito  Santo  se  derramasse  também  sobre  os  gentios.  Porque  os ouviam  falar  em  línguas  e magnificar  a  Deus. Os  cristãos  de  Éfeso  At  19.6  (E, impondo‐lhes Paulo  as mãos,  veio  sobre eles o  Espírito  Santo; e  tanto  falavam em línguas como profetizavam).

Esse poder não  se  trata de uma  força  impessoal, mas de uma manifestação do Espírito Santo, na qual a presença, a glória e a operação de Jesus estão presentes com seu povo (Jo 14.16‐18; 16.14; 1Co 12.7).

8. OS DONS ESPIRITUAIS

Uma das maneiras do Espírito Santo manifestar‐se é através de uma variedade de  dons  espirituais  concedidos  aos  crentes  (12.7‐11).  Essas  manifestações  do Espírito visam à edificação e à santificação da igreja (12.7; ver 14.26 nota). Esses dons e ministérios não são os mesmos de Rm 12.6‐8 e Ef 4.11, mediante os quais o  crente  recebe  poder  e  capacidade  para  servir  na  igreja  de modo  mais permanente.  A  lista  em  12.8‐10  não  é  completa.  Os  dons  aí  tratados  podem

operar em conjunto, de diferentes maneiras.

As  manifestações  do  Espírito  dão‐se  de  acordo  com  a  vontade  do  Espírito (12.11), ao surgir a necessidade, e também conforme o anelo do crente na busca dos dons (12.31; 14.1) Certos  dons  podem  operar  num  crente  de  modo  regular,  e  um  crente  pode receber  mais  de  um  dom  para  atendimento  de  necessidades  específicas.  O crente deve desejar “dons”, e não apenas um dom (12.31; 14.1).

É  antibíblico  e  insensato  se  pensar  que  quem  tem  um  dom  de  operação exteriorizada (mais visível) é mais espiritual do que quem tem dons de operação mais  interiorizada,  i.e., menos visível. Também, quando uma pessoa possui um dom espiritual, isso não significa que Deus aprova tudo quanto ela faz ou ensina. Não  se  deve  confundir  dons  do  Espírito,  com  o  fruto  do  Espírito,  o  qual  se relaciona mais diretamente com o caráter e a santificação do crente (Gl 5.22,23).

Satanás  pode  imitar  a  manifestação  dos  dons  do  Espírito,  ou  falsos  crentes disfarçados como servos de Cristo podem fazer o mesmo (Mt 7.21‐23; 24.11, 24; 2Co 11.13‐15;  2Ts  2.8‐10).  O  crente  não  deve  dar  crédito  a  qualquer manifestação espiritual, mas deve “provar se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1Jo 4.1; cf. 1Ts 5.20,21; ver o estudo.

8.1 RELAÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS

Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; e a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; e a outro, a operação de maravilhas; e a outro, a profecia; e a outro, o dom de discernir os espíritos; e a outro, a variedade de línguas; e a outro, a interpretação das línguas.

Em  1Co  12.8‐10,  o  apóstolo  Paulo  apresenta  uma  diversidade  de  dons  que  o Espírito  Santo  concede  aos  crentes.  Nesta  passagem,  ele  não  descreve  as características  desses  dons,  mas  noutros  trechos  das  Escrituras  temos  ensino sobre os mesmos.

8.1.1 DONS DE REVELAÇÃO

a) Dom da Palavra da Sabedoria (12.8): Trata‐se  de  uma  mensagem  vocal  sábia,  enunciada  mediante  a  operação sobrenatural do Espírito Santo. Tal mensagem aplica a  revelação da Palavra de

Deus ou a sabedoria do Espírito Santo a uma situação ou problema específico Ex.: At 6.10 Não podiam resistir a sabedoria com que Estevão falava; Não  se  trata  aqui  da  sabedoria  comum  de  Deus,  para  o  viver  diário,  que  se obtém pelo diligente estudo e meditação nas coisas de Deus e na sua Palavra, e pela oração (Tg 1.5,6).

b) Dom da Palavra do Conhecimento (12.8): Trata‐se  de  uma  mensagem  vocal,  inspirada  pelo  Espírito  Santo,  revelando conhecimento a respeito de pessoas, de circunstâncias, ou de verdades bíblicas. Freqüentemente, este dom tem estreito relacionamento com o de profecia Ex.:  (At  5.1‐10)  Pedro  obteve  o  conhecimento  do  que Ananias  e  Safira  haviam feito

c) Dom de Discernimento de Espíritos (12.10): Trata‐se  de  uma  dotação  especial  dada  pelo  Espírito,  para  o  portador  do  dom discernir  e  julgar  corretamente  as  profecias  e  distinguir  se  uma  mensagem provém do Espírito Santo ou não  (1Jo 4.1 Amados, não deis crédito a qualquer

espírito;  antes, provai os  espíritos  se procedem de Deus, porque muitos  falsos profetas têm saído pelo mundo fora.).

8.1.2 DONS DE PODER

 a) Dom da Fé (12.9): Não  se  trata  da  fé  para  salvação,  mas  de  uma  fé  sobrenatural  especial,

comunicada  pelo  Espírito  Santo,  capacitando  o  crente  a  crer  em  Deus  para  a realização de coisas extraordinárias e milagrosas. É a fé que remove montanhas (Mc  11.22‐24)  e  que  freqüentemente  opera  em  conjunto  com  outras manifestações do Espírito, tais como as curas e os milagres.

b) Dons de Curas (12.9): Esses dons são concedidos à igreja para a restauração da saúde física, por meios divinos e sobrenaturais. Ex.: At 3.6‐8 A cura de um coxo na porta do templo. O plural (“dons”) indica curas de diferentes enfermidades e sugere que cada ato de cura vem de um dom especial de Deus. Os dons de curas não são concedidos a todos os membros do corpo de Cristo (cf. 12.11,30 “11 Mas um só e o mesmo Espírito  opera  todas  essas  coisas,  repartindo  particularmente  a  cada  um  como quer”; 30″Têm todos o dom de curar? Falam todos diversas línguas? Interpretam todos?”),  todavia,  todos  eles  podem  orar  pelos  enfermos.  Havendo  fé,  os enfermos serão curados

Pode também haver cura em obediência ao ensino bíblico de Tg 5.14‐16 (ver Tg 5.15 notas).

c) Dom de Operação de Milagres (12.10): Trata‐se  de  atos  sobrenaturais  de  poder,  que  intervêm  nas  leis  da  natureza. Incluem atos divinos em que se manifesta o  reino de Deus contra Satanás e os espíritos malignos. Ex.: Mt 8.26,27 E ele disse‐lhes: Por que temeis, homens de pequena fé? Então,

levantando‐se, repreendeu os ventos e o mar, e seguiu‐se uma grande bonança. E  aqueles  homens  se maravilharam,  dizendo:  Que  homem  é  este,  que  até  os ventos e o mar lhe obedecem?

8.1.3 DONS DE INSPIRAÇÃO 

a) Dom de Profecia (12.10): É  preciso  distinguir  a  profecia  aqui  mencionada,  como  manifestação

momentânea  do  Espírito  da  profecia  como  dom  ministerial  na  igreja, mencionado  em  Ef  4.11.  Como  dom  de  ministério,  a  profecia  é  concedida  a apenas alguns crentes, os quais servem na igreja como ministros profetas. Como manifestação  do  Espírito,  a  profecia  está  potencialmente  disponível  a  todo cristão  cheio  dEle  (At  2.16‐18).  Quanto  à  profecia,  como  manifestação  do

Espírito, observe o seguinte:

Trata‐se de um dom que capacita o crente a transmitir uma palavra ou revelação diretamente de Deus, sob o impulso do Espírito Santo (14.24,25, 29‐31) Tanto  no AT,  como  no N.T.,  profetizar  não  é  primariamente  predizer  o  futuro, mas  proclamar  a  vontade  de  Deus  e  exortar  e  levar  o  seu  povo  à  retidão,  à fidelidade e à paciência. A mensagem profética pode desmascarar a condição do coração  de  uma  pessoa  (1  Co  14.25  tornam‐se‐lhe manifestos  os  segredos  do coração,  e,  assim,  prostrando‐se  com  a  face  em  terra,  adorará  a  Deus, testemunhando que Deus está, de  fato, no meio de vós), ou prover edificação, exortação, consolo, advertência e julgamento (1 Co 14.3 Mas o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando e consolando.

A  igreja  não  deve  ter  como  infalível  toda  profecia  deste  tipo,  porque muitos falsos  profetas  estarão  na  igreja  (1Jo  4.1).  Daí,  toda  profecia  deve  ser  julgada quanto à sua autenticidade e conteúdo (1Ts 5.20,21 Não desprezeis as profecias;

julgai todas as coisas, retende o que é bom). Ela deverá enquadrar‐se na Palavra de  Deus  (1Jo  4.1),  contribuir  para  a  santidade  de  vida  dos  ouvintes  e  ser transmitida por alguém que de fato vive submisso e obediente a Cristo (12.3). O dom de profecia manifesta‐se segundo a vontade de Deus e não a do homem. Não há no N.T. um só texto mostrando que a  igreja de então buscava revelação

ou  orientação  através  dos  profetas.  A  mensagem  profética  ocorria  na  igreja somente quando Deus tomava o profeta para isso.

b) Dom de Variedades de Línguas (12.10): No  tocante  às  “línguas”  (gr.  glossa,  que  significa  língua)  como  manifestação sobrenatural do Espírito, notemos os seguintes fatos:  Essas  línguas podem  ser humanas como as que os discípulos  falaram no dia de Pentecostes (At 2.4‐6), ou uma língua desconhecida na terra, entendida somente por Deus (1 Co 14.2 Pois quem fala em outra  língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o entende, e em espírito fala mistérios).

A  língua  falada  através  deste  dom  não  é  aprendida,  e  quase  sempre  não  é entendida,  tanto por quem  fala como pelos ouvintes  (1 Co 14.14,16 Porque, se eu  orar  em  outra  língua,  o meu  espírito  ora  de  fato, mas  a minha mente  fica infrutífera.  16  E,  se  tu  bendisseres  apenas  em  espírito,  como  dirá  o  indouto  o amém depois da tua ação de graças? Visto que não entende o que dizes;) O falar noutras  línguas como dom abrange o espírito do homem e o Espírito de Deus,  que  entrando  em  mútua  comunhão,  faculta  ao  crente  a  comunicação direta com Deus (i.e., na oração, no  louvor, no bendizer, na ação de graças e na oração), Línguas  estranhas  faladas  no  culto devem  ser  seguidas  de  sua  interpretação, também  pelo  Espírito,  para  que  a  congregação  conheça  o  conteúdo  e  o significado  da mensagem  (1  Co  14.,  27,28. No  caso  de  alguém  falar  em  outra língua,  que  não  sejam  mais  do  que  dois  ou  quando  muito  três,  e  isto

sucessivamente,  e  haja  quem  interprete. Mas,  não  havendo  intérprete,  fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus.) Deve haver ordem quanto ao  falar  em  línguas  em  voz  alta  durante  o  culto.  Quem  fala  em  línguas  pelo Espírito, nunca fica em “êxtase” ou “fora de controle”.

c) Dom de Interpretação de Línguas (12.10): Trata‐se da capacidade concedida pelo Espírito Santo, para o portador deste dom compreender e transmitir o significado de uma mensagem dada em  línguas. Tal mensagem  interpretada  para  a  igreja  reunida,  pode  conter  ensino  sobre  a

adoração e a oração, ou pode ser uma profecia. Toda a congregação pode assim desfrutar  dessa  revelação  vinda  do  Espírito  Santo.  A  interpretação  de  uma mensagem em  línguas pode  ser um meio de edificação da congregação  inteira, pois toda ela recebe a mensagem. A interpretação pode vir através de quem deu a mensagem  em  línguas, ou de outra pessoa. Quem  fala  em  línguas deve orar para que possa  interpretá‐las  (1 Co 14.13 Pelo que, o que  fala em outra  língua deve orar para que a possa interpretar)

9. O FRUTO DO ESPÍRITO

Em contraste com as obras da carne, temos o modo de viver  íntegro e honesto que  a  Bíblia  chama  “o  fruto  do  Espírito”.  Esta maneira  de  viver  se  realiza  no crente à medida que ele permite que o Espírito dirija e influencie sua vida de tal maneira que ele (o crente) subjugue o poder do pecado, especialmente as obras da carne, e ande em comunhão com Deus (ver Rm 8.5‐14 nota; 8.14 nota; cf. 2Co 6.6; Ef 4.2,3; 5.9; Cl 3.12‐15; 2Pe 1.4‐9). O fruto do Espírito inclui:

a) ÁGAPE – AMOR: Caridade”  (gr. ágape),  i.e., o  interesse e a busca do bem maior de outra pessoa sem nada querer em  troca  (1 Co 13.4‐8 O amor é paciente, é benigno; o amor não  arde  em  ciúmes,  não  se  ufana,  não  se  ensoberbece,  não  se  conduz inconvenientemente,  não  procura  os  seus  interesses,  não  se  exaspera,  não  se ressente do mal; não se alegra com a  injustiça, mas  regozija‐se com a verdade; tudo  sofre,  tudo  crê,  tudo  espera,  tudo  suporta.  O  amor  jamais  acaba;  mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo  línguas, cessarão; havendo ciência,

passará) O amor é o solo onde são cultivadas todas as demais virtudes espirituais.

O  amor  é  a  prova  da  espiritualidade  e  tem  inicio  na  regeneração  (1  Jo  4.7‐8). Amados,  amemo‐nos uns  aos outros, porque o  amor procede de Deus;  e  todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor. O  amor  consiste  em  querer  para  os  outros  aquilo  que  queremos  par  nos mesmos.  É  a  dedicação  ao  próximo.  Mateus  7:12  Portanto,  tudo  o  que  vós quereis que os homens vos façam, fazei‐lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.

b) CHARA – ALEGRIA: Trata‐se  da  felicidade  do  Espírito,  qualidade  de  vida  que  é  graciosa  e  bondosa caracterizada pela boa vontade, generosa nas dádivas aos outros, por causa de

uma correta relação com Deus. Deus não aprecia a duvida e o desânimo. Também o abomina a doutrina ousada, o pensamento melancólico e  tristonho. Deus gosta de corações animados.  (2Co

6.10  “entristecidos, mas  sempre  alegres;  pobres, mas  enriquecendo  a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo.)

A  alegria  cristã,  entretanto  não  é  uma  emoção  artificial. Antes  é  uma  ação  do Espírito de Deus no espírito humano é a sensação de alegria baseada no amor, na graça,  nas  bênçãos,  nas  promessas  e  na  presença  de Deus,  bênçãos  estas  que pertencem  àqueles  que  crêem  em  Cristo  1  Pe  1.8  Jesus  Cristo;  a  quem,  não havendo  visto,  amais;  no  qual,  não  vendo  agora,  mas  crendo,  exultais  com alegria indizível e cheia de glória,

c) EIRENE – PAZ: A queda do homem no pecado destruí  a paz,  a paz  com Deus,  com os outros, com o próprio ser e com a própria consciência.

Foi através da instrumentalidade da cruz que Deus estabeleceu a paz. Portanto, a paz  envolve  muito  mais  do  que  uma  tranqüilidade  intima,  que  prevalece  a respeito das  tempestades externas. Antes,  trata‐se de uma qualidade espiritual de  origem  cósmica  e  pessoal  produzida  pela  reconciliação  e  pelo  perdão  dos pecados.

A paz é o contrario do ódio, da contenda, da  inveja dos excessos de tudo o que são obras da carne.

Paz é a quietude de coração e mente, baseada na convicção de que tudo vai bem entre  o  crente  e  seu  Pai  celestial  (Fp  4.7  E  a  paz  de Deus,  que  excede  todo  o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.

d) MAKROTHUMIA – LONGANIMIDADE: Quando  é  uma  qualidade  atribuída  a  Deus,  significa  que  ele  tolera pacientemente  todas  as  iniquidades  do  homem,  não  deixando  arrebatar  por explosões de ira.

A  longanimidade  é  a  paciência  que  nos  permite  subjugar  a  ira  e  o  sendo  de contenda, tolerando as injúrias.

Longanimidade  é  a  perseverança,  paciência,  ser  tardio  para  irar‐se  ou  para  o desespero  (Ef  4.1,2 Rogo‐vos, pois,  eu, o prisioneiro  no  Senhor, que  andeis de modo  digno  da  vocação  a  que  fostes  chamados,  com  toda  a  humildade  e mansidão, com longanimidade, suportando‐vos uns aos outros em amor).

e) CHRESTOTES – BENIGNIDADE:Significa  gentileza,  bondade.  Esse  termo  grego  significa  também  excelência  de caráter, honestidade. O crente que a possui esse é gracioso e gentil para com seu semelhante não se mostrando ser inflexível e exigente.

 Ser Benigno é não querer magoar ninguém, nem lhe provocar dor (Ef 4.32 Antes, sede  uns  para  com  os  outros  benignos,  compassivos,  perdoando‐vos  uns  aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou).

f) AGATHOSUNE – BONDADE: Uma pessoa bondosa quando se dispõe a ajudar aqueles que tem necessidade.

Podemos observar a  vida  terrena  inteira de  Jesus de Nazaré,  vivida em meio a atos  de  bondade  para  com  os  outros.  Ora,  para  que  o  crente  se  mostre supremamente bondoso, precisa contar com auxílio do Espírito Santo.

Bondade é a expressão máxima do amor cristão. No grego, Agathosune refere‐se ao homem bom, cuja generosidade brota do coração. Ela é a verdadeira prática do bem. É o amor em ação  (Gl 6.10 Por  isso, enquanto  tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé).

g) PISTIS – FÉ: Significa  tanto  confiança  como  fidelidade.  A  fé  de  parceria  com  o arrependimento,  forma  a  conversão.  A  entrega  da  alma,  as  mãos  de  Cristo alicerçado sobre o conhecimento espiritual.

A  fé  vitalizada  pelo  amor,  pois  do  contrário,  não  será  a  verdadeira  fé  sob hipótese alguma.

Fé  é  lealdade  constante  e  inabalável  a  alguém  com  quem  estamos  unidos  por promessa, compromisso, fidedignidade e honestidade

h) PRAUTES – MANSIDÃO: Para  Aristóteles,  essa  característica  era  um  vicio  de  deficiência,  e  não  uma virtude. Aristóteles encarava tal realidade, como uma auto‐depreciação. Na verdade mansidão  trata‐se de uma  submissão do homem para com Deus e, em  seguida  para  com  o  homem.  A  mansidão  é  o  resultado  da  verdadeira humildade  por  causa  do  reconhecimento  alheio,  com  a  recusa  de  nos considerarmos superiores.

 Mansidão  é moderação,  associada  à  força  e  à  coragem;  descreve  alguém  que pode  irar‐se  com  eqüidade  quando  for  necessário,  e  também  humildemente submeter‐se  quando  for  preciso  (Jesus  em  Mt  11.23  repreende  duramente Carfanaum  “Tu, Cafarnaum,  elevar‐te‐ás, porventura,  até  ao  céu? Descerás  até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje “e no v. 29 diz que devemos ser mansos  como  ele Mt  11.29  2Tomai  sobre  vós o meu  jugo  e  aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.

i) EGKRATEIA ‐ TEMPERANÇA ‐ DOMÍNIO PRÓPRIO: Temperança é o  controle ou domínio  sobre nossos próprios desejos e paixões, inclusive a fidelidade aos votos conjugais; também a pureza (1Co 7.9; Tt 1.8; 2.5). Na passagem de 1 Co 7.9 essa palavra é usada em relação ao controle do impulso sexual ( Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado.

Mas  em 1 Co 9.25  refere‐se  a  toda  forma de  autodisciplina  (Todo  atleta  em tudo  se  domina;  aqueles,  para  alcançar  uma  coroa  corruptível;  nós,  porém,  a incorruptível. Parece que Paulo se utiliza dessa palavra, neste contesto, dando a entender aquele autocontrole que obtém sobre os vícios alistados em Gl 5.19‐21.

Os filósofos estóicos percebiam claramente a verdade expressa por essa virtude de  domínio  próprio.  Eles  procuravam  fazer  com  que  a  razão  dominasse  a  vida inteira, controlando as paixões e firmando a lama. O ensino final de Paulo sobre o fruto do Espírito é que não há qualquer restrição quanto ao modo de viver aqui  indicado. O crente pode — e  realmente deve —praticar essas virtudes continuamente. Nunca haverá uma lei que lhes impeça de viver segundo os princípios aqui descritos.

Soterologia: Doutrina de Cristo

1.  Graça:  É  o  poder  dinâmico  de  Deus  que  provêm  imerecidamente  para capacitar o homem a desejar e fazer a Sua vontade (Fp.2:13; Ico.1:4,5; IITm.1:9; Tg.1:18; IICo.3:5; Hb.13:21; Is.26:12; Jr.10:23; Pv.16:9; 20:24; ICo.15:10).

2.  Predestinação:  É  o  conselho  ou  decreto  de  Deus  concernente  aos  homens decaídos, incluindo a eleição soberana de uns e a justa reprovação dos restantes (Rm.8:29,30; 9:11‐24; Ef.1:5,11).

Os dois aspectos da predestinação são: (a)  Eleição: É o ato eterno de Deus pelo qual Ele, em seu soberano beneplácito, e sem  levar  em  conta  nenhum  mérito  previsto  nos  homens,  escolhe  um  certo número deles para receberem a graça especial e a salvação eterna. (b)  Reprovação: É o decreto eterno de Deus pelo qual Ele determinou deixar de aplicar  a  um  certo  número  de  homens  as  operações  de  sua  graça  especial,  e puní‐los por seus pecados, para a manifestação da sua  justiça. Os dois aspectos da reprovação são preterição e condenação.

PENSAMENTO:  A  soberania  divina  e  a  soberania  humana  certamente  são contraditórias  entre  si,  mas  a  soberania  divina  e  a  responsabilidade  humana, não. (F.H. Klooster)

3. Vocação:  Vocação  ou  chamada  é  o  ato  de  graça  pelo  qual Deus  convida  os homens,  através  de  Sua  Palavra,  a  aceitarem  pela  fé  a  salvação  providenciada por  Cristo.  (ICo.1:9;  ITs.2:12;  IPe.5:10;  Mt.11:28;  Lc.5:32;  Jo.7:37;  At.2:39; Rm.8:30; ICo.1:24,26;7:15; Gl.1:15; Ef.4:1;4:4; IITs.2:14; IITm.1:9; Ipe.2:9;5:10).

4. União: É a ligação íntima, vital e espiritual entre Cristo e o Seu povo, em razão da qual Ele é a  fonte da  sua  vida e poder, da  sua bem‐aventurança e  salvação (Ef.5:32; Cl.1:27).

5.  Regeneração:  É  o  ato  de  Deus  pelo  qual  o  princípio  de  uma  nova  vida  é implantado no homem, e a disposição dominante de sua alma é tornada santa. É a  comunicação de vida divina à alma, que  implica numa  completa mudança de coração (Ez.11;19; 18:31; 36:26; Jr.24:7; Rm.6:4; Ef.2:6; Cl.2:12; Jo.5:21; Jo.6:63; 10:10,28;  Rm.6:11,13;  IJo.5:11,12;  Ef.2:1,5;  Cl.2:13;  IIPe.1:4;  Jo.1:12;  3:3,5; IJo.3:1).

6. Conversão: É o ato exterior, visível e prático da salvação operada na vida do pecador regenerado (Lc.22:32).

Os dois aspectos da conversão são: (a)  arrependimento:  é  o  aspecto  negativo  da  conversão,  porque  implica  no abandono do pecado e em dizer não para as coisas pecaminosas.

(b)  fé: é o aspecto positivo da coversão, porque  implica em voltar em direção a Deus e em dizer sim para a sua palavra.

7. Arrependimento: É a mudança voluntária e consciente, produzida na vida do pecador, efetuada pelo Espírito Santo, a qual atinge sua mente, seus sentimentos e  conduz  o  pecador  ao  abandono  voluntário  do  pecado  (Mt.21:28‐30; IICo.7:9,10).

8.  Fé:  É  um  firme  e  seguro  conhecimento  do  favor  de  Deus,  para  conosco, fundado na verdade de uma promessa gratuita em Cristo, e  revelada às nossas mentes e seladas em nossos corações pelo Espirito Santo  (As  Institutas,  III, 2,7, Calvino).

9. Justificação: É um ato judicial de Deus, no qual Ele declara, com base na justiça de  Jesus  Cristo,  que  todas  as  reivindicações  da  lei  estão  satisfeitas  a  favor  do pecador  (At.13:39; Rm.5:1,9; 8:30‐33;  Ico.6:11; Gl.2:16; Gl.3:11). Na  justificação estão incluídos o perdão, a adoção, a substituição vicária e a imputação.

Os dois aspectos da justificação são: (a) Remissão ou Perdão  (aspecto negativo/a dívida é anulada): É o  resultado da morte de Cristo e se dá por meio da substituição, na qual, Cristo nosso Cordeiro

Pascal se oferece para morrer em nosso lugar.

(b) Adoção (aspecto positivo/o crédito é imputado): É o resultado da ressurreição de Cristo e  se dá por meio da  imputação, na qual a  justiça de Cristo, que dá o direito  legal à adoção, é  imputada ao crente. A  regeneração opera uma  filiação moral enquanto que a adoção opera uma filiação legal.

10. Remissão ou Perdão: É o aspecto negativo da justificação, pois quando Adão pecou,  ele  foi  condenado  pelo  que  fez  de  errado  (iniquidade),  como  também pelo que deixou de  fazer de certo, errando o alvo  (pecado). Adão, então pecou por  ação  (iniquidade  =  pecado  consciente,  voluntário,  transgressão)  e  omissão (pecado,  leia  IJo.3:4).  Cristo  em  sua  obra  vicária  corrigiu  os  erros  de  Adão, obedecendo passiva e ativamente, negativa e positivamente os mandamentos de

Deus,  pois  a  lei  inclui  mandamentos  negativos  (não  adulterarás,  etc)  e mandamentos positivos (amarás a Deus, etc). O perdão é, portanto o ato judicial de Deus pelo qual ele concede ao pecador, na cruz, os benefícios resultantes da obediência passiva de Cristo. O perdão é resultado da morte de Cristo enquanto que a adoção (o aspecto positivo da  justificação) é resultado da ressurreição de

Cristo  (Rm.4:25).  Na  morte  Cristo  aniquilou  o  pecado,  na  ressurreição  trouxe justiça. O perdão é operado mediante a  substituição, a  justiça é  concedida por meio  da  imputação.  O  perdão  é  concedido  na  cruz.  A  justiça  é  imputada  no tribunal de Deus (IPe.3:18).

NOTA: Remissão não é o mesmo que redenção. Veja redenção no item 17.

11. Adoção: É o ato judicial de Deus, resultado prático da regeneração, pelo qual Ele declara seus  filhos emancipados e herdeiros da vida eterna  (Tt.3:7). Adoção não  deve  ser  confundida  com  regeneração,  pois  na  adoção  Deus  coloca  o pecador que já é seu filho regenerado na posição de filho adulto. Na adoção não há  transformação  interior  (moral).  A  adoção  não muda  o  interior  do  pecador, muda a sua posição perante Deus. Deus não adota pecadores não regenerados, Deus só adota aqueles que já são seus filhos.

12. Imputação: É o ato de Deus pelo qual Ele debita meritoriamente na conta da humanidade o pecado de Adão, e  judicialmente na conta de Cristo o pecado da humanidade,  e  gratuitamente  na  conta  da  humanidade  a  justiça  de  Cristo.

Imputação significa “debitar”, “atribuir responsabilidade” ou “lançar na conta de alguém”.  Paulo  ensina  esta  doutrina  quando  assume  a  dívida  de Onésimo. Do mesmo modo Jesus Cristo tomou a nossa dívida (Fm.18,19).

13. Substituição: É o ato judicial de Deus pelo qual Ele pune os pecadores pelos seus  pecados,  provendo  um  substituto  qualificado,  sobre  o  qual  recaiu  todo  o pecado  e  a  culpa  imputados  à  humanidade  por  causa  do  pecado  de  Adão (Is.53:4‐7; Ico.5:7).

Um substituto qualificado deveria possuir:

 (a)  Perfeita  Encarnação:  deveria  ter  natureza  humana  completa  para  poder representar adequadamente a humanidade (Hb.2:14‐17; 5:1; Jo.1:14).

(b)  Perfeita  Identificação:  deveria  ter  uma  profunda  identificação  com  o sofrimento  humano  (Hb.4:15;  Hb.2:18;  Hb.5:2,3).  A  nossa  identificação  com Cristo  é  tão  perfeita  que  somos  identificados  com  Ele  na  sua morte  (Rm.6:3; Cl.2:12).

(c) Perfeita Santidade: Um homem comum não seria um bom  representante da raça  humana. O  substituto  deveria  ser  santo,  inocnete,  sem mácula,  separado dos pecadores (Hb.7:23‐27). Um mortal comum não poderia salvar ninguém, pois sendo mortal, não se salvaria nem a si mesmo.

14. Santificação: É a graciosa e contínua operação do Espirito Santo pela qual Ele liberta o pecador justificado da corrupção do pecado, renova toda a sua natureza à imagem de Deus, e o capacita a praticar boas obras.

15. Perseverança: É a contínua operação do Espirito Santo no crente, pela qual a obra  da  graça  divina,  inciada  no  coração,  tem  prosseguimento  e  se  completa, levando  os  salvos  à  permanecerem  em  Cristo  e  perseverarem  firmes  na  fé.  A perseverança representa o lado humano (Jr.32:40; Sl.86:11; 37:28‐31).

16. Segurança: É a garantia eterna e imutável da salvação, iniciada e completada por  Deus,  no  coração  dos  regenerados.  A  segurança  representa  o  lado  divino (Sl.89:28‐37).

17.  Redenção:  É  o  ato  gracioso  de  Deus  pelo  qual  Ele  liberta  o  pecador  da escravidão da  lei do pecado e da morte  (Rm.8:1,2), mediante o pagamento de um resgate (Rm.6:20‐22; Ico.6:19,20; IPe.1:18,19; Ap.1:5; 5:9; Gl.4:1‐7).

 (a) A Necessidade da Redenção: Todas as criaturas humanas da terra pertencem a Deus  (ICo.10:26; Sl.50:12) mas não são todas de Cristo  (Rm.8:9). O homem só se  torna  propriedade  exclusiva  de  Cristo  mediante  a  obra  da  redenção (ICo.6:19,20; Hb.2:13‐15). O mundo (sistema) é de Satanás (Lc.4:6;  Ijo.5:19) e as criaturas  humanas  que  estão  no mundo  pertencem  à  ele  (At.26:18; Mt.12:30; Mc.9:40; Lc.11:23), por isso era necessária a redenção, para que através de Cristo Deus  resgatasse  (comprasse)  do  mundo  os  que  viriam  a  crer  nele,  para  que através  da  redenção  passassem  a  pertencer  a  Cristo  (Jo.15:19;  17:14;  18:36; Cl.1:13). Se um homem ainda não foi redimido, embora sendo criatura de Deus, continua sendo filho do Diabo, do qual é ele escravo (Jo.8:44). Somente os filhos de Deus são verdadeiramente livres (Gl.2:4; 5:1; Rm.8:21; IICo.3:17).

(b) A Natureza do Redentor:  Deveria  ser  parente  próximo  da  vítima:  Era  ele,  o  redentor  (goel  no  hebraico) quem deveria resgatar o sangue da vítima assassinada  (Nm.35:19‐34; Js.20:3‐5);

era  ele  quem  deveria  resgatar  a  possessão  da  família  que  fora  vendida (Lv.25:24,26,51,52; Lv.27:13,15,19,20,31; Jr.32:7); era ele quem deveria resgatar a pessoa cujo empobrecimento  forçou‐a a se vender a um não  judeu  (Lv.25:47‐49). Em Ezequiel 11:15 a expressão “os homens do teu parentesco” significa “os homens da tua redenção”.

O  Redentor  deveria  preencher  certos  requisitos:  (1)  deveria  ter  parentesco  do escravo  a  ser  resgatado  (Rt.2:20; 3:9,12; 4:1,3,6,14);  (2) deveria  ter meios  com que  pagar  o  resgate  (Rt.4:6;  Sl.49:7‐9);  (3)  deveria  querer  efetuar  o  resgate (Rt.4:4;  Rt.3:13;  Rm.5:7);  (4)  deveria  ser  livre  e  não  podia  ser  um  escravo,  um escravo não podia resgatar outro escravo.

(c) Cristo é o Nosso Redentor:

(1)     Ele se fez nosso parente próximo (Hb.2:14,15; Fp.2:7);

(2)     Ele pagou com seu sangue (At.20:28; IPe.1:18; ICo.6:20);

(3)     Ele nos resgatou voluntariamente (Jo.10:17,18);

(4)     Ele não tinha pecado (Hb.5:15; IICo.5:21).

 18.  Reconciliação:  É  a  operação  graciosa  de  Deus  pela  qual  Ele  reconcilia  os pecadores  consigo mesmo,  por meio  da morte  de  Jesus  Cristo,  removendo  a inimizade  (IICo.5:18‐21; Cl.1:20‐22). O  termo usado no antigo Testamento para reconciliação é expiação.

Os dois aspectos da reconciliação são:

(a)     Expiação: A  reconciliação  (no grego = katallagê)  tem seu aspecto negativo na  expiação,  que  enfatiza  a  morte  de  Cristo  para  o  perdão  dos  pecados  em relação ao homem. (A justificação possui aspectos semelhantes a reconciliação:  É negativa e positivamente considerada: (a) Perdão e (b) Adoção). A expiação é a remoção da causa da  inimizade do homem (Rm.5:10). Na expiação a fraqueza, a impiedade  e  o  pecado  (mencionados  em  Rm.5:6‐8),  fatores  causadores  da inimizade  são  removidos.  Portanto  expiação  é  o  cancelamento  da  fraqueza (Rm.5:6),  da  impiedade  (Rm.5:6)  e  especialmente  do  pecado  (Rm.5:8;  Ijo.1:29; At.3:19). Na expiação a ação  se dirige para aquilo que provocou o  rompimento no relacionamento, e se ocupa com a anulação do ato ofensivo.

 (b)   Propiciação: É a reconciliação em seu aspecto positivo, e por  isso vai além da expiação, pois enfatiza a morte de Cristo em relação a Deus. Na propiciação a ação se dirige para Deus, a pessoa ofendida. O propósito da propiciação é alterar a atitude de Deus, da ira para a boa vontade e favor. Na propiciação é a ira que é removida  (Rm.5:9,10) e a amizade de Deus é  restaurada. Não é o caso de Deus mudar, mas sim de que sua  ira é desviada  (Sl.78:38; 79:8; Em Ex.32:14 o  termo arrepender  é wayyinnahem,  no  hebraico,  e  hilaskomai,  no  grego,  que  significa “ser propício”.  É  também usado  em  Lm.3:42; Dn.9:19;  IIRs.24:4.  É  claro que  se trata  de  linguagem  poética,  pois  há  passagens  em  que  se  diz  que  Deus  se arrependeu de fazer o bem, como em Jr.18:10, como se o bem fosse causa para arrependimento).

Na expiação Cristo ofereceu‐se pelos os homens, na propiciação Ele ofereceu‐se à Deus (Hb.9:13,14;  IPe.3:18). A expiação extingue o pecado (a  inimizade contra Deus),  a  propiciação  extingue  a  penalidade  do  pecado  (a  ira  de  Deus)  que  é desviado para a cruz de Cristo (Rm.3;25; Rm.1:18,24,26).

 19.Renovação: É a operação graciosa de Deus que inclui todos aqueles processos de  forças  espirituais  subsequentes  ao  novo  nascimento  e  decorrentes  dele (Sl.51:10;103:5; Is.40:31;41:1; Cl.3:10).

20.  Glorificação  ou  Ressurreição:  É  a  operação  divina  pela  qual  o  crente regenerado  há  de  ressuscitar  corporalmente,  tendo  seu  corpo  abatido, transformado à semelhança do corpo glorioso do Senhor Jesus (Fp.3:21; ITs.4:13‐17; IJo.3:2).

Conclusão: não  foram apresentados  todos os aspectos envolvidos em  cada um dos  20  itens  aqui  descritos.  O  assunto  é  vasto  e  interminável,  na  teologia sistemática,  principalmente  na  soteriologia,  por  isso  apresentei  um  resumo  do que  considerei mais  importante  sobre o  assunto. Outros  aspectos  poderão  ser encontrados por um.

Cristologia: Doutrina de Cristo

Cristologia: Doutrina de Cristo

Lemos em  Jo.1:14 que o Verbo  se  fez  carne. Não devemos entender  com  isso que  o  Verbo  foi  transformado  em  carne  ou misturado  com  carne,  e  sim  que escolheu para si mesmo um templo formado pelo ventre de uma virgem, no qual habitar; e que Aquele que era o Filho de Deus  ficou  sendo o Filho do Homem, não pela confusão da substância mas sim pela unidade de pessoa.

A NATUREZA HUMANA DE CRISTO 

A) Natureza humana

1) Feito de Mulher (Gl.4:4; Mt.1:8).

2) Feito da Semente (esperma) de Davi:

a) Sem (Gn.9:27).

b) Abraão (Gn.12:1‐3).

c) Isaque (Gn.26:2‐5).

d) Jacó (Gn.28:13‐15).

e) Judá (Gn.49:10).

f) Davi (IISm.7:12‐16).

 

B) Crescimento e Desenvolvimento Naturais:  

1) Vigor Físico (Lc.2:52).

2) Faculdades Mentais (Lc.2:40).

C) Aparência Pessoal (Jo.4:9). 

D) Natureza Humana Completa: 

1) Corpo (Mt.26:12).

2) Alma (Mt.26:38).

3) Espirito (Lc.23:46).

 

E) Limitações Humanas: 

1) Limitações Físicas:

a) Fadiga (Jo.4:6; Is.40:28).

b) Sono (Mt.8:24; Sl.121:4,5).

c) Fome (Mt.21:18).

d) Sede (Jo.19:28).

e) Sofrimento e Dor (Lc.22:44).

f) Sujeição à Morte (ICo.15:3).

 

2) Limitações Intelectuais:

a) Precisava Crescer em Conhecimento (Lc.2:52).

b) Precisava Adquirir Conhecimento pela Observação (Mc.11:13).

c) Possuía Conhecimento Limitado (Mc.13:32).

3) Limitações Morais (Hb.2:18;4:15).  

 4) Limitações Espirituais:   

a) Dependia das Orações (Mc.1:35).

b) Dependia do Espirito Santo (At.10:38; Mt.12:28).

 

F) Nomes Humanos: 

1) Jesus (Mt.1:21).

2) Filho do Homem (Lc.19:10).

3) O Nazareno (At.2:22).

4) O Profeta (Mt.21:11).

5) O Carpinteiro (Mc.6:3).

6) O Homem (Jo.19:5; ITm.2:5).

 

G) Relação Humana com Deus:  

1)  Como  Mediador  e  Sacerdote;  Como  representante  da  humanidade  Jesus falava com Deus (Mc.15:34).

2) Kenosis: Auto esvaziamento de Jesus Cristo, uma auto renúncia dos atributos divinos. Jesus pôs de lado a forma de Deus, mas ao fazê‐lo não se despiu de Sua natureza divina; não houve auto extinção. Também o Ser divino não  se  tornou humano;  Sua personalidade  continuou  a mesma, e  reteve  a  consciência de  ser Deus (Jo.3:13). O propósito da kenosis foi a redenção. Na kenosis Jesus deixou o

uso independente do Seu poder para depender do Espirito Santo.

 

A NATUREZA DIVINA DE CRISTO 

A) Nomes Divinos: 

1) Deus (Jo.1:1; Jo.1:18(ARA); Jo.20:28; Rm.9:5; Tt.2:13; Hb.1:8).

2) Filho de Deus (Mt.8:29;16:16;27:40; Mc.14:61,62; Jo.5:25;10:36;

3) Alfa e Ômega (Ap.1:8,17;22:13; Is.44:6).

4) O Santo (At.3:14; Is.41:14; Os.11:9).

5) Pai da Eternidade e Maravilhoso (Is.9:6; Jz.13:18).

6) Deus Forte (Is.9:6; Is.10:21).

7) Senhor da Glória (ICo.2:8; Tg.1:21; Sl.24:8‐10).

8) Senhor (At.9:17;16:31; Lc.2:11; Rm.10:9; Fp.2:11). O termo “Senhor” em grego é Kúrios, e significa Chefe superior, Mestre, e como tal era empregado à pessoas humanas, aos imperadores de Roma. Entretanto eles eram considerados deuses, e  somente  à  eles  era  permitido  aplicar  este  título,  no  sentido  de  divindade (At.2:36; IICo.4:5; Ef.4:5; IIPe.2:1; Ap.19:16).

 

B) Pelo culto divino que Lhe é atribuido: 

1) Somente Deus pode ser adorado (Mt.4:10).

2) Jesus aceitou e não impediu Sua adoração (Mt.14:33; Lc.5:8;24:52).

3) O Pai deseja que o Filho seja adorado (Hb.1:6; Jo.5:22,23; compare Is.45:21‐23 com Fp.2:10,11).

4) A Igreja primitiva o adorou e orava Ele (At.7:59,60; IICo.12:8‐10).

 

C) Pelos ofícios divinos que Lhe foram atribuídos: 

1) Criador (Jo.1:3; Hb.1:8‐10; Cl.1:16).

2) Preservador (Cl.1:17).

3) Perdoador de pecados (Mc.2:5,7,11; Lc.7:49).

4)  Jesus  é  Jeová  Encarnado  (Compare  Is.40:3,4  com  Jo.1:23;  Is.8:13,14  com IPe.2:7,8  e  At.4:11;  IPe.2:6  com  Is.28:16  e  Sl.118:22;  Nm.21:6,7  com ICo.10:9(ARA  =  Senhor;  ARC  =  Cristo;  no  grego  =  Criston);  Sl.102:22‐27  com Hb.1:10‐12; Is.60:19 com Lc.2:32; Zc.3:1,2).

 

D)  Pela  associação  de  Jesus,  o  Filho,  com  o  nome  de  Deus  Pai  (IICo.13:14; ICo.12:4‐6; ITs.3:11; Rm.1:7; Tg.1:1; IIPe.1:1; Ap.7:10; Cl.2:2; Jo.17:3; Mt.28:19).

 

E) Atributos divinos Lhe são atribuídos: 

1) Atributos Naturais:  

a)  Onisciência  (Jo.1:47‐51;4:16‐19,29;6:64;16:30;8:55;  Jo.10:15;21:6,17; Mt.11:27;12:25;17:27; Cl.2:3).

b) Onipresença (Jo.3:13;14:23 Mt.18:20;28:20; Ef.1:23).

c) Onipotência (Mt.8:26,27;28:28; Hb.1:3; Ap.1:8).

d) Eternidade (Jo.8:58;17:5,24; Cl.1:17; Hb.1:8;13:8; Ap.1:8; Is.9:6; Mq.5:2).

e) Vida (Jo.10:17,18;11:25;14:6).

f) Imutabilidade (Hb.1:11;13:8; Sl.102:26,27).

g) Auto‐Existência (Jo.1:1,2).

h) Espiritualidade (IICo.3:17,18).

2) Atributos Morais:  

a) Santidade (At.3:14;4:27Jo.8:12; Lc.1:35; Hb.7:26; IJo.1:5; Ap.3:7;15:4; Dn.9:24).

b) Bondade (Jo.10:11,14; IPe.2:3; IICo.10:1).

c) Verdade (Mt.22:16; Jo.1:14;14:6; Ap.19:11;3:7; IJo.5:20).

 

F) Títulos dados igualmente a Deus Pai e a Jesus Cristo:

1)  Deus:  Deus  Pai  (Dt.4:39;  IISm.7:22;  IRs.8:60;  IIRs.19:15;  ICr.17:20;  Sl.86:10; Is.45:6;46:9;  Mc.12:32),  Jesus  Cristo  (Compare  Is.40:3  com  Jo.1:23  e  3:28; Sl.45:6,7 com Hb.1:8,9; Jo.1:1; Rm.9:5; Tt.2:13; IJo.5:20).

2) Único Deus Verdadeiro: Deus Pai (Jo.17:3), Jesus Cristo (IJo.5:20).

3) Deus Forte: Deus Pai (Ne.9:32), Jesus Cristo (Is.9:6).

4)  Deus  Salvador:  Deus  Pai  (Is.45:15,21;  Lc.1:47:  Tt.3:4),  Jesus  Cristo  (IIPe.1:1; Tt.2:13; Jd.25).

5) Jeová: Deus Pai (Ex.3:15), Jesus Cristo (Compare Is.40:3 com Mt.3:3 e Jo.1:23).

6)  Jeová dos Exércitos:  (ICr.17:24;  Sl.84:3;  Is.51:15;  Jr.32:18;46:18),  Jesus Cristo (Compare Sl.24:10 e Is.6:1‐5 com Jo.12:41; Is.54:5).

7)  Senhor: Deus Pai  (Mt.11:25;21:9;22:37; Mc.11:9;12:29; Rm.10:12; Ap.11:15), Jesus Cristo (Lc.2:11; Jo.20:28; At.10:36; ICo.2:8;8:6;12:3,5; Fp.2:11; Ef.4:5).

8) Único Senhor: Deus Pai (Mc.12:29; Dt.6:4), Jesus Cristo (ICo.8:6; Ef.4:5).

9) Jeová e Salvador, Senhor e Salvador: Deus Pai (Is.43:11;60:16; Os.13:4), Jesus Cristo (IIPe.1:11;2:20;3:18).

10)  Salvador:  Deus  Pai  (Is.43:3,11;60:16;  ITm.1:1;2:3;  Tt.1:3;2:10;3:4;  Jd.25), Jesus Cristo (Lc.1:69;2:11; At.5:31; Ef.5:23; Fp.3:20; IITm.1:10; Tt.1:4;3:6).

11) Único Salvador: Deus Pai (Is.43:11; Os.13:4), Jesus Cristo (At.4:12; ITm.2:5,6).

12) Salvador de todos os homens e do mundo: Deus Pai (ITm.4:10), Jesus Cristo (IJo.4:14).

13) O  Santo  de  Israel:  Deus  Pai  (Sl.71:22;89:18;  Is.1:4;  Is.45:11),  Jesus  Cristo (Is.41:14;43:3;47:4;54:5).

14)  Rei  dos  reis,  Senhor  dos  senhores:  Deus  Pai  (Dt.10:17;  ITm.6:15,16),  Jesus Cristo (Ap.17:14;19:16).

15) Eu Sou: Deus Pai (Ex.3:14), Jesus Cristo (Jo.8:58).

16)  O  Primeiro  e  O  Último:  Deus  Pai  (Is.41:4;44:6;48:12)  Jesus  Cristo (Ap.1:11,17;2:8;22:13).

17) O Esposo de Israel e da Igreja: Deus Pai (Is.54:5;62:5; Jr.3:14; Os.2:16), Jesus Cristo (Jo.3:9; IICo.11:2;; Ap.19:7;21:9).

18) O Pastor: Deus Pai (Sl.23:1), Jesus Cristo (Jo.10:11,14; Hb.13:20).

 

G) Obras atribuídas igualmente a Deus e a Jesus Cristo:  

1) Criou o mundo e todas as coisas: Deus Pai (Ne.9:6; Sl.146:6;  Is.44:24; Jr.27:5; At.14:15;17:24),  Jesus  Cristo  (Sl.33:6;  Jo.1:3,10;  ICo.8:6;  Ef.3:9;  Cl.1:16; Hb.1:2,10).

2) Sustenta e preserva todas as coisas: Deus Pai (Sl.104:5‐9; Jr.5:22;31:35), Jesus Cristo (Cl.1:17; Hb.1:3; Jd.1)

3) Ressuscitou Cristo: Deus Pai (At.2:24; Ef.1:20), Jesus Cristo (Jo.2:19;10:18).

4)  Ressuscitou mortos: Deus  Pai  (Rm.4:17;  ICo.6:14;  IICo.1:9;4:14),  Jesus  Cristo (Jo.5:21,28,29;6:39,40,44,54;11:25; Fp.3:20,21).

5) É o Autor da regeneração: Deus Pai (IJo.5:18), Jesus Cristo (IJo.2:29).

 

A UNIPERSONALIDADE DE JESUS CRISTO 

Ficou provado que  Jesus Cristo possui duas naturezas, a divina e a humana. No entanto, embora  tenha duas naturezas, Ele não possui duas personalidades ou Pessoas, sendo uma Pessoa divina e outra humana, mas uma só e apenas uma. Jesus Cristo é uma só Pessoa em duas naturezas distintas, porém unidas.

Teologia: Doutrina de Deus

Teologia: Doutrina de Deus

I. DEFINIÇÕES DE DEUS:

A) Definição Filosófica de Platão: Deus é o começo, o meio e o  fim de  todas as coisas.  Ele  é  a mente  ou  razão  suprema;  a  causa  eficiente  de  todas  as  coisas; eterno,  imutável, onisciente, onipotente; tudo permeia e tudo controla; é  justo, santo,  sábio e bom; o absolutamente perfeito, o  começo de  toda a  verdade, a fonte de toda a lei e justiça, a origem de toda a ordem e beleza e, especialmente, a causa de todo o bem.

B)  Definição  Cristã  do  Breve  Catecismo:  Deus  é  um  Espírito,  infinito,  eterno  e imutável em Seu Ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade.

C) Definição Combinada: Deus é um espírito infinito e perfeito em quem todas as coisas  tem  sua  origem,  sustentação  e  fim  (Jo.4:24;  Ne.9:6;  Ap.l:8;  Is.48:12; Ap.1:17).

D) Definições Bíblicas: As expressões “Deus é Espírito”  (Jo.4:24) e “Deus é Luz ” (IJo.1:5),  são  expressões  da  natureza  essencial  de  Deus,  enquanto  que  a expressão “Deus é amor” (IJo.4:7) é expressão de Sua personalidade. (ITm.6:16)

 

II. ESSÊNCIA OU NATUREZA DE DEUS:

Quando  falamos  em  essência  de  Deus,  queremos  significar  tudo  o  que  é essencial ao Seu Ser como Deus, isto é, substância e atributos.

 

A) Substância de Deus:

1) Há duas substâncias: matéria e espírito.

2) Deus  é  uma  substância  simples:  A  substância  de Deus  é  puro  espírito,  sem mistura com a matéria (Jo.4:24).

B) Atributos de Deus:

Sua  substância  é  Espírito  e  Seus  atributos  são  as  qualidades  ou  propriedades dessa substância. Atributos é a manifestação do Ser de Deus.

 

III. CLASSIFICAÇÃO DOS ATRIBUTOS:

 

A)  Naturais  e  Morais:  Também  chamados  de  “intransitivos  e  transitivos”, “incomunicáveis e comunicáveis”, “absolutos e relativos”, “negativos e positivos” ou “imanentes e emanentes”.

B) Atributos Naturais:

1)  Vida:  Deus  tem  vida;  Ele  ouve,  vê,  sente  e  age,  portanto  é  um  Ser  vivo (Jo.10:10; Sl.94:9,l0; IICr.16:9; At.14:15; ITs.1:9). Quando a Bíblia fala do olho, do ouvido,  da mão  de  Deus,  etc.,  fala metaforicamente.  A  isto  se  dá  o  nome  de antropomorfismo. Deus é vida (Jo.5:26; 14:26) e o princípio de vida (At.17:25,28).

 

2)  Espiritualidade: Deus,  sendo  Espírito,  é  incorpóreo,  invisível,  sem  substância material, sem partes ou paixões físicas e, portanto, é livre de todas as limitações temporais  (Jo.4:24; Dt.4:15‐19,23; Hb.12:9;  Is.40:25; Lc.24:39; Cl.1:15;  ITm.1:17; IICo.3:17)

 

3)  Personalidade:  Existência  dotada  de  auto‐consciência  e  auto‐determinação (Ex.3:14; Is.46:11).

a) Volição ou vontade = querer (Is.46:10; Ap.4:11).

b) Razão ou intelecto = pensar (Is.14:24; Sl.92:5; Is.55:8).

c) Emoção ou sensibilidade = sentir (Gn.6:6, IRs.11:9, Dt.6:15; Pv.6:16; Tg.4:5)

4) Tri‐Unidade:

a) Unidade de Ser: Há no Ser divino apenas uma essência  indivisível. Deus é um em sua natureza constitucional. A palavra hebraica que significa um no sentido absoluto  é  yacheed  (Gn.22:2),  isto  é,  uma  unidade  numérica  simples.  Essa palavra não é empregada para expressar a unidade da divindade. A unidade da divindade  é  ensinada  nas  palavras  de  Jesus:  Eu  e  o  Pai  somos  um.  (Jo.10:30). Jesus  está  falando  da  unidade  da  essência  e  não  de  unidade  de  propósito.

(Jo.17:11,21‐23, IJo.5:7)

b) Trindade de Personalidade: Há  três Pessoas no Ser divino: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A palavra hebraica que significa um no sentido de único é echad que se refere a uma unidade composta. Esta palavra é empregada para expressar a unidade da divindade. Esta palavra é usada em Dt.6:4; Gn.2:24 e Zc.14:9 (Veja também  Dt.4:35;32:39;  ICr.29:1;  Is.43:10;44:6;45:5;  IRs.8:60;  Mc.10:9;12:29; ICo.8:5,6; ITm.2:5; Tg.2:19; Jo.17:3; Gl.3:20; Ef.4:6).

c)  Elohim:  Este  nome  está  no  plural  e  não  concorda  com  o  verbo  no  singular quando designativo de Deus (Gn.1:26;3:22; 11:6,7;20:13;48:15; Is.6:8)

d) Há distinção de Pessoas na Divindade: Algumas passagens mostram uma das Pessoas  divinas  se  referindo  à  outra  (Gn.19:24;  Os.1:7;  Zc.3:1,2;  IITm.1:18; Sl.110:1; Hb.1:9).

 

5) Auto‐Existência:  Jerônimo disse: Deus é a origem de Si mesmo e a  causa de Sua  própria  substância.  Jerônimo  estava  errado,  pois  Deus  não  tem  causa  de existência, pois não criou a Si mesmo e não foi causado por outra coisa ou por Si mesmo; Ele nunca teve  início. Ele é o Eterno EU SOU (Ex.3:14), portanto Deus é absolutamente  independente de  tudo  fora de  Si mesmo para a  continuidade e perpetuidade  de  Seu  Ser.  Deus  é  a  razão  de  sua  própria  existência  (Jo.5:26;

At.17:24‐28; ITm.6:15,16).

 

6)  Infinidade  ou  Perfeição  É  o  atributo  pelo  qual  Deus  é  isento  de  toda  e qualquer  limitação  em  seu  Ser  e  em  seus  atributos  (Jó.11:7‐10;  Mt.5:48).  A infinidade  de  Deus  se  contrasta  com  o  mundo  finito  em  sua  relação  tempo‐espaço.

a)  Eternidade:  A  infinidade  de  Deus  em  relação  ao  tempo  é  denominada eternidade.  Deus  é  Eterno  (Sl.90:2;  102:12,24‐27;  Sl.93:2;  Ap.1:8;  Dt.33:27; Hb.1:12). A  eternidade de Deus não  significa  apenas duração prolongada, para frente e para traz, mas sim que Deus transcende a todas as limitações temporais (IIPe.3:8) existentes em sucessões de tempo. Deus preenche o tempo. Nossa vida se  divide  em  passado,  presente  e  futuro. mas  não  há  essa  divisão  na  vida  de Deus. Ele é o Eterno EU SOU. Deus é elevado acima de todos os limites temporais e de  toda a  sucessão de momentos, e  tem a  totalidade de  sua existência num único presente indivisível (Is.57:15).

b)  Imensidão:  A  infinidade  de  Deus  em  relação  ao  espaço  é  denominada imensidão  ou  imensidade.  Deus  é  imenso  (Grande  ou  Majestoso;  Jó.36:5,26; Jó.37:22,23;  Jr.22:18;  Sl.145:3).  Imensidão  é  a  perfeição  de Deus  pela  qual  Ele transcende  (ultrapassa)  todas  as  limitações  espaciais  e,  contudo  está  presente em todos os pontos do espaço com todo o seu Ser PESSOAL (não é panteísmo). A imensidão  de  Deus  é  intensiva  e  não  extensiva,  isto  é,  não  significa  extensão

ilimitada no espaço, como no panteísmo. A  imensidão de Deus é transcendente no  espaço  (intramundano  ou  imanente  =  dentro  do  mundo ‐  Sl.139:7‐12; Jr.23:23,24) e fora do espaço (supramundano = acima do mundo; extramundano = além do mundo; emanente = fora do mundo ‐ IRs.8:27; Is.57:15).

c)  Onipresença:  É  quase  sinônimo  de  imensidão:  A  imensidade  denota  a transcendência no espaço enquanto que a onipresença denota a  imanência no espaço.  Deus  é  imanente  em  todas  as  Suas  criaturas  e  em  toda  a  criação.  A imanência não deve  ser  confundida  com o panteísmo  (tudo  é Deus) ou  com o deísmo  que  ensina  que  Deus  está  presente  no mundo  apenas  com  seu  poder (per portentiam) e não com a essência e natureza de  ser Ser  (per essentiam et naturam)  e que  age  sobre  o  mundo  à  distância.  Deus  ocupa  o  espaço repletivamente porque preenche todo o espaço e não está ausente em nenhuma parte  dele,  mas  tampouco  está  mais  presente  numa  parte  que  noutra (Sl.139:11,12).  Deus  ocupa  o  espaço  variavelmente  porque  Ele  não  habita  na terra  do mesmo modo  que  habita  no  céu,  nem  nos  animais  como  habita  nos

homens, nem nos  ímpios como habita nos piedosos, nem na  igreja como habita em Cristo (Is.66:1; At.17:27,28; Compare Ef.1:23 com Cl.2:9).

7) Imutabilidade É o atributo pelo qual não encontramos nenhuma mudança em Deus, em sua natureza, em seus atributos e em seu conselho.

a) A “base” para a  imutabilidade de Deus: É Sua simplicidade, eternidade, auto‐existência e perfeição. Simplicidade porque sendo Deus uma substância simples, indivisível, sem mistura, não está sujeito a variação (Tg.1:17). Eternidade porque Deus não está  sujeito às  variações e  circunstâncias do tempo, por  isso Ele não muda  (Sl.102:26,27; Hb.1:12 e 13:8). Auto‐existência porque uma vez que Deus

não  é  causado, mas  existe  em  Si mesmo,  então  Ele  tem  que  existir  da  forma como  existe,  portanto  sempre  o  mesmo  (Ex.3:14).  E  perfeição  porque  toda mudança tem que ser para melhor ou pior e sendo Deus absolutamente perfeito jamais poderá ser mais sábio, mais santo, mais justo, mais misericordioso, e nem menos. Por isso Deus é imutável como a rocha (Dt.32:4).

b)  Imutabilidade  não  significa  imobilidade:  Nosso  Deus  é  um  Deus  de  ação (Is.43:13).

c)  Imutabilidade  implica  em  não  arrependimento:  Alguns  versículos  falam  de Deus como se Ele se arrependesse  (Ex.32:14,  IISm.24:16,  Jr.18:8;  Jl.2:13). Trata‐se de antropomorfismo (Nm.23:19; Rm.11:29; ISm.15:29; Sl.110:4).

d) Imutabilidade de Deus em Sua natureza: Deus é perfeito em sua natureza por isso não muda nem para melhor nem para pior (Ml.3:6).

e) Imutabilidade de Deus em Seus atributos: Deus é imutável em suas promessas (IRs.8:56;  IICo.1:20);  em  sua  misericórdia  (Sl.103:17;  Is.54:10);  em  sua  justiça (Ez.8:18); em seu amor (Gn.18:25,26).

f)  Imutabilidade de Deus em  Seu  conselho: Deus planejou os  fatos  conforme a sua vontade e decretou que este plano seja concretizado. Nada poderá se opor à sua vontade. O próprio Deus  jamais mudará de opinião, mas  fará conforme seu plano predeterminado (Is.46:9,10; Sl.33:11; Hb.6:17).

8) Onisciência Atributo pelo qual Deus, de maneira inteiramente única, conhece‐se a Si próprio e a todas as coisas possíveis e reais num só ato eterno e simples. O conhecimento de Deus tem suas características:

a) É arquétipo: Deus  conhece o universo  como ele existe em  Sua própria  idéia anterior  à  sua  existência  como  realidade  finita  no  tempo  e  no  espaço;  e  este conhecimento não é obtido de fora, como o nosso (Rm.11:33,34).

b) É  inato e  imediato: Não  resulta de observação ou de processo de  raciocínio (Jó.37:16)

c) É simultâneo: Não é sucessivo, pois Deus conhece as coisas de uma vez em sua totalidade, e não de forma fragmentada uma após outra (Is.40:28).

d)  É  completo:  Deus  não  conhece  apenas  parcialmente,  mas  plenamente consciente (Sl.147:5).

e)  Conhecimento  necessário:  Conhecimento  que  Deus  tem  de  Si mesmo  e  de todas as coisas possíveis, um conhecimento que  repousa na consciência de sua onipotência. É chamado necessário porque não é determinado por uma ação da vontade  divina.  (Por  exemplo:  O  conhecimento  do  mal  é  um  conhecimento necessário  porque  não  é  da  vontade  de  Deus  que  o  mal  lhe  seja  conhecido (Hc.1:13)  Deus  não  pode  nem  quer  ver  o  mal,  mas  o  conhece,  não  por experiência,  que  envolve  uma  ação  de  Sua  vontade,  mas  sim  por  simples inteligência, por  ser ato do  intelecto divino  (veja  IICo.5:21 onde o  termo grego ginosko é usado).

f) Conhecimento livre: É aquele que Deus tem de todas as coisas reais, isto é, das coisas que existiram no passado, que existem no presente e existirão no futuro. É também chamado visionis, isto é, conhecimento de vista.

g) Presciência: Significa conhecimento prévio; conhecimento de antemão. Como Deus  pode  conhecer  previamente  as  ações  livres  dos  homens?  Deus  decretou todas as coisas, e as decretou com suas causas e condições na exata ordem em que  ocorrem,  portanto  sua  presciência  de  coisas  contingentes  (ISm.23:12; IIRs.13:19;  Jr.38:17‐20;  Ez.3:6  e Mt.11:21)  apoia‐se  em  seu  decreto.  Deus  não originou  o  mal  mas  o  conheceu  nas  ações  livres  do  homem  (conhecimento

necessário),  o  decretou  e  preconheceu  os  homens.  Portanto  a  ordem  é: conhecimento  necessário,  decreto,  presciência.  A  presciência  de Deus  é muito mais do que saber o que vai acontecer no futuro, e seu uso no N.T. é empregado como  na  LXX  que  inclui  Sua  escolha  efetiva  (Nm.16:5;  Jz.9:6;  Am.3:2).  Veja Rm.8:29; IPe.1:2; Gl.4:9. Como se processou o conhecimento necessário de Deus nas  livres  ações  dos  homens  antes mesmo  que  Ele  as  decretasse? A  liberdade humana  não  é  uma  coisa  inteiramente  indeterminada,  solta  no  ar,  que  pende numa ou noutra direção, mas é determinada por nossas próprias considerações intelectuais  e  caráter  (lubentia  rationalis  =  auto‐determinação  racional). Liberdade  não  é  arbitrariedade  e  em  toda  ação  racional  há  um  porquê,  uma razão  que  decide  a  ação.  Portanto  o  homem verdadeiramente  livre  não  é  o  homem incerto e imprevisível, mas o homem seguro. A liberdade tem suas leis ‐ leis espirituais ‐ e a Mente Onisciente sabe quais são (Jo.2:24,25). Em resumo, a resciência é um conhecimento  livre (scientia  libera) e,  logicamente procede do decreto, “…segundo o decreto sua vontade” (Ef.1:11).

h)  Sabedoria:  A  sabedoria  de  Deus  é  a  Sua  inteligência  como manifestada  na adaptação de meios e  fins. Deus  sempre busca os melhores  fins e os melhores meios  possíveis  para  a  consecução  dos  seus  propósitos.  H.B.  Smith  define  a sabedoria de Deus como o Seu atributo através do qual Ele produz os melhores resultados  possíveis  com  os  melhores  meios  possíveis.  Uma  definição  ainda melhor há de incluir a glorificação de Deus: Sabedoria é a perfeição de Deus pela qual Ele aplica o seu conhecimento à consecução dos seus fins de um modo que o glorifica o máximo  (Rm.ll:33‐36; Ef.1:11,12; Cl.1:16). Encontramos a sabedoria de Deus na criação (Sl.19:1‐7; Sl.104), na redenção (ICo.2:7; Ef.3:10) . A sabedoria é personificada na Pessoa do Senhor Jesus (Pv.8 e ICo.1:30; Jó.9:4; veja também Jó 12:13,16).

9) Onipotência  É o  atributo pelo qual  encontramos  em Deus o poder  ilimitado para fazer qualquer coisa que Ele queira. A  onipotência  de  Deus  não  significa  o  exercício  para  fazer  aquilo  que  é

incoerente com a natureza das coisas, como, por exemplo, fazer que um fato do passado não tenha acontecido, ou traçar entre dois pontos uma linha mais curta do que uma  reta. Deus possui  todo o poder que é coerente com Sua perfeição infinita, todo o poder para fazer tudo aquilo que é digno dEle. O poder de Deus é distinguido de duas maneiras:

‐ Potentia Dei absoluta = absoluto poder de Deus e potentia Dei ordinata = poder ordenado de Deus.

‐ Hodge  e  Shedd  definem  o  poder  absoluto  de Deus  como  a  eficiência  divina, exercida sem a  intervenção de causas secundárias, e o poder ordenado como a eficiência de Deus, exercida pela ordenada operação de causas secundárias.

‐ Chanock define o poder absoluto como aquele pelo qual Deus é capaz de fazer o que Ele não fará, mas que tem possibilidade de ser feito, e o poder ordenado como o poder pelo qual Deus faz o que decretou fazer, isto é, o que Ele ordenou ou marcou para ser posto em exercício; os quais não são poderes distintos, mas um e o mesmo poder. O seu poder ordenado é parte do seu poder absoluto, pois se Ele não  tivesse poder para  fazer  tudo que pudesse desejar, não  teria poder para  fazer tudo o que Ele deseja. Podemos, portanto, definir o poder ordenado de Deus  como  a  perfeição  pela  qual  Ele, mediante  o  simples  exercício  de  Sua vontade, pode realizar tudo quanto está presente em Sua vontade ou conselho. E’ óbvio, porém, que Deus pode  realizar coisas que a Sua vontade não desejou realizar  (Gn.18:14;  Jr.32:27;  Zc.8:6;  Mt.3:9;  Mt.26:53).  Entretanto  há  muitas coisas que Deus não pode realizar. Ele não pode mentir, pecar, mudar ou negar‐se  a  Si mesmo  (Nm.23:19;  ISm.15:29;  IITm.2:13;  Hb.6:18;  Tg.1:13,17;  Hb.1:13; Tt.1:3),  isto  porque  não  há  poder  absoluto  em  Deus,  divorciado  de  Sua perfeições,  e  em  virtude  do  qual  Ele  pudesse  fazer  todo  tipo  de  coisas contraditórias  entre  Si  (Jó.11:7).  Deus  faz  somente  aquilo  que  quer  fazer (Sl.115:3; Sl.135:6).

a) El‐Shaddai: A onipotência de Deus  se expressa no nome hebraico El‐Shaddai traduzido por Todo‐Poderoso (Gn.17:1; Ex.6:3; Jó.37:23 etc).

b) Em todas as coisas: A onipotência de Deus abrange todas as coisas (ICr.29:12), o domínio sobre a natureza  (Sl.107:25‐29; Na.1:5,6; Sl.33:6‐9;  Is.40:26; Mt.8:27; Jr.32:17; Rm.1:20), o domínio  sobre a experiência humana  (Sl.91:1; Dn.4:19‐37; Ex.7:1‐5;  Tg.4:12‐15;  Pv.21:1;  Jó.9:12;  Mt.19:26;  Lc.1:37),  o  domínio  sobre  as regiões celestiais (Dn.4:35; Hb.1:13,14; Jó.1:12; Jó 2:6).

c) Na  criação,  na  providência  e  na  redenção: Deus manifestou  o  seu  poder  na

criação  (Rm.4:17;  Is.44:24),  nas  obras  da  providência  (ICr.29:11,12)  e  na redenção (Rm.1:16; ICo.1:24).

10)  Soberania  ou  Supremacia  Atributo  pelo  qual  Deus  possui  completa autoridade  sobre  todas  as  coisas  criadas,  determinando‐lhe  o  fim  que  desejar (Gn.14:19; Ne.9:6;  Ex.18:11;  Dt.10:14,17;  ICr.29:11;  IICr.20:6;  Jr.27:5;  At.17:24‐26; Jd.4; Sl.22:28; 47:2,3,8; 50:10‐12; 95:3‐5; 135:5; 145:11‐13; Ap.19:6).

a) Vontade ou Auto‐determinação: A perfeição de Deus pela qual Ele, num ato sumamente  simples, dirige‐se à Si mesmo  como o Sumo Bem  (deleita‐se em Si mesmo  como  tal)  e  às  Suas  criaturas  por  amor  do  Seu  nome  (Is.48:9,11,14; Ez.20:9,14,22,44; Ez.36:21‐23).

A  vontade  de  Deus  recebe  variadas  classificações,  pois  à  ela  são  aplicadas diferentes  palavras  hebraicas  (chaphets,  tsebhu,  ratson)  e  gregas  (boule, thelema).

‐ Vontade  Preceptiva: Na  qual Deus  estabeleceu  preceitos morais  para  reger  a vida  de  Suas  criaturas  racionais.  Esta  vontade  pode  ser  desobedecida  com freqüência (At.13:22; IJo.2:17; Dt.8:20).

‐  Vontade  Decretória:  Pela  qual  Deus  projeta  ou  decreta  tudo  o  que  virá  a acontecer, quer pretenda  realizá‐lo  causativamente, quer permita que  venha a ocorrer por meio da  livre ação de suas criaturas (At.2:23;  Is.46:9‐11). A vontade decretória  é  sempre  obedecida.  A  vontade  decretória  e  a  vontade  preceptiva relacionam‐se ao propósito em realizar algo.

‐ Vontade de Eudokia: Na qual Deus deleita‐se com prazer em realizar um fato e com  desejo  de  ver  alguma  coisa  feita.  Esta  vontade,  embora  não  se  relacione com  o  propósito  de  fazer  algo, mas  sim  com  o  prazer  de  fazer  algo,  contudo corresponde  àquilo  que  será  realizado  com  certeza,  tal  como  acontece  com  a vontade decretória (Sl.115:3; Is.44:28; Is.55:11).

‐ Vontade de Eurestia: Na qual Deus deleita‐se com prazer ao vê‐la cumprida por Suas criaturas. Esta vontade abrange aquilo que a Deus apraz que Suas criaturas façam,  mas  que  pode  ser  desobedecido,  tal  como  acontece  com  a  vontade preceptiva (Is.65:12).

‐ A vontade de eudokia não se refere somente ao bem, e nela não está sempre presente o elemento de deleite (Mt.11:26). A vontade de eudokia e a vontade de eurestia relacionam‐se ao prazer em realizar algo.

‐ Vontade de Beneplacitum: Também chamada Vontade Secreta. Abrange todo o conselho  secreto  e  oculto  de  Deus.  Quando  esta  vontade  nos  é  revelada,  ela torna‐se  na  Vontade  do  Signum  ou  Vontade  Revelada.  A  distinção  entre  a  vontade  de  beneplacitum  e  a  vontade  de  signum  encontra‐se  em Deuteronomio.29:29.

‐  A  vontade  secreta  é mencionada  em  Sl.115:3;  Dn.4:17,25,32,35;  Rm.9:18,19; Rm.11:33,34;  Ef.1:5,9,11,  enquanto  que  a  vontade  revelada  é mencionada  em Mt.7:21; Mt.12:50;  Jo.4:34;  Jo.7:17;  Rm.12:2).  Esta  vontade  está mui  perto  de nós  (Dt.30:14; Rm.10:8). A vontade  secreta de Deus pertence a  todas as  coisas que  Ele  quer  efetuar  ou  permitir,  tal  como  acontece  na  vontade  decretória, sendo portanto, absolutamente fixa e irrevogável.

 

b)  Liberdade:  A  perfeição  de  Deus  no  exercício  de  Sua  vontade.  Deus  age necessária  e  livremente.  Assim  como  há  conhecimento  necessário  e conhecimento livre, há também uma voluntas necessária = vontade necessária e uma  voluntas  libera  =  vontade  livre. Na  vontade necessária Deus não  está  sob nenhuma  compulsão,  mas  age  de  acordo  com  a  lei  do  Seu  Ser,  pois  Ele necessariamente  quer  a  Si  próprio  e  quer  a  Sua  natureza  santa.  Deus ecessariamente  se  ama  a  Si  próprio  e  Suas  perfeições.  As  Suas  criaturas  são  objetos  de  Sua  vontade  livre,  pois  Deus  determina  voluntariamente  o  que  e quem Ele criará; e os tempos, lugares e circunstâncias de suas vidas. Ele traça as veredas de todas as Suas criaturas, determina o seu destino e as utiliza para Seus propósitos  (Jó.ll:10;  Jó.23:13,14;  Jó.33:13.  Pv.16:4;  Pv.21:1;  Is.10:15;  Is.29:16; Is.45:9; Mt.20:15; Ap.4:11;Rm.9:15‐22; ICo.12:11).

 

C) Atributos Morais:

1) Santidade: É a perfeição de Deus, em  virtude da qual Ele eternamente quer manter  e mantém  a  Sua  excelência moral,  aborrece  o  pecado,  e  exige  pureza moral em suas criaturas. Ser Santo vem do hebraico qadash que significa cortar ou separar. Neste sentido também o Novo testamento utiliza as palavras gregas hagiazo e hagios.

A  santidade  de Deus  possui  dois  diferentes  aspectos,  podendo  ser  positiva  ou negativa (Hb.1:9;Am.5:15; Rm.12:9).

a)  Santidade  Positiva:  Expressa  excelência  moral  de  Deus  na  qual  Ele  é absolutamente perfeito, puro e  íntegro em Sua natureza e Seu caráter  (IJo.1:5; Is.57:15; IPe.1:15,16; Hc.1:13). A santidade positiva é amor ao bem.

b)  Santidade  Negativa:  Significa  que  Deus  é  inteiramente  separado  de  tudo quanto  é  mal  e  de  tudo  quanto  o  aborrece  (Lv.11:43‐45;  Dt.23:14;  Jó.34:10; Pv.15:9,26;  Is.59:1,2;  Lc.20:26;  Hc.  1:13;  Pv.6:16‐19;  Dt.25:16;  Sl.5:4‐6).  A santidade negativa é ódio ao mal.

Além  de  possuir  dois  aspectos  a  santidade  de  Deus  possui  também  duas maneiras diferentes de manifestar‐se:

c) Retidão: Também chamada justiça absoluta, é a retidão da natureza divina, em virtude  da  qual  Ele  é  infinitamente  Reto  em  Si mesmo  (santidade  legislativa). Sl.145:17; Jr.12:1; Jo.17:25; Sl.116:5; Ed.9:15.

d)  Justiça:  Também  chamada  justiça  relativa,  é  a  execução  da  retidão  ou  a expressão da  justiça absoluta  (santidade  judicial). Strong a chama de  santidade  transitiva. A retidão é a fonte da Santidade de Deus, a  justiça é a demonstração de Sua santidade.

A  justiça  de  Deus  pode  ser  retributiva  e  remunerativa.  A  justiça  retributiva  se divide em punitiva e corretiva. A justiça punitiva é aquela pela qual Deus pune os pecadores pela transgressão de Suas  leis. Esta  justiça de Deus exige a execução das  penalidades  impostas  por  Suas  leis  (Sl.3:5;11:4‐7  Dt.32:4;  Dn.9:12,14;

Ex.9:23‐27;34:7). A  justiça corretiva é aquela pela qual Deus  “pune” Seus  filhos para  corrigi‐los  (Hb.12:6,7). Aqueles  que  não  são  Seus  filhos, Deus  pune  como um Juiz Severo (Rm.11:22; Hb.10:31), mas aos Seus filhos, Deus “pune” (corrige) como  um  Pai  Amoroso  (Jr.10:24;30:11;46:28;  Sl.89:30‐33;  ICr.21:13)  A  justiça remunerativa  é  aquela  pela  qual  Deus  recompensa,  com  Suas  bênçãos,  aos homens pela obediência de Suas leis (Hb.6:10; IITm.4:8; ICo.4:5;3:11‐15; Rm.2:6‐

10; IIJo.8)

e)  Ira:  Esta  deve  ser  considerada  como  um  aspecto  negativo  da  santidade  de Deus, pois em Sua ira Deus aborrece o pecado e odeia tudo quanto contraria Sua santidade  (Dt.32:39‐41;  Rm.11:22;  Sl.95:11;  Dt.1:34‐37;  Sl.95:11).  Podemos, então, dizer que a ira é a manifestação da santidade negativa de Deus (Rm.1:18; IITs.1:5‐10; Rm.5:9 etc). A ira é também designada de severidade (Rm.11:22).

2)  Bondade:  É  uma  concepção  genérica  incluindo  diversas  variedades  que  se distinguem  de  acordo  com  os  seus  objetos.  Bondade  é  perfeição  absoluta  e felicidade  perfeita  em  Si  mesmo  (Mc.10:18;  Lc.18:18,19;  Sl.33:5;  Sl.119:68; Sl.107:8; Na.1:7).

A bondade implica na disposição de transmitir felicidade.

a)  Benevolência:  É  a  bondade  de Deus  para  com  Suas  criaturas  em  geral.  E’  a perfeição de Deus que O  leva a tratar benévola e generosamente todas as Suas criaturas (Sl.145:9,15,16; Sl.36:6;104:21; Mt.5:45;6:26; Lc.6:35; At.14:17).  Thiessen define benevolência  como a afeição que Deus  sente e manifesta para com Suas criaturas  sensíveis e  racionais. Ela  resulta do  fato de que a criatura é obra  Sua;  Ele  não  pode  odiar  qualquer  coisa  que  tenha  feito  (Jó.14:15)  mas

apenas àquilo que foi acrescentado à Sua obra, que é o pecado (Ec.7:29).

 

b) Beneficência: Enquanto que a benevolência é a bondade de Deus considerada em  sua  intenção  ou  disposição,  a  beneficência  é  a  bondade  em  ação,  quando seus atributos são conferidos.

c) Complacência: É a aprovação às boas ações ou disposições. É aquilo em Deus que  aprova  todas  as  Suas  próprias  perfeições  como  também  aquilo  que  se conforma com Ele (Sl.35:27; Sl.51:6; Is.42:1; Mt.3:17; Hb.13:16).

d)  Longanimidade  ou  Paciência:  O  hebraico  emprega  a  palavra  erek’aph  que significa  grande  de  rosto  e  daí  também  lento  para  a  ira.  O  grego  emprega makrothymia  que  significa  ira  longe.  Portanto  longanimidade  é  o  aspecto  da bondade de Deus em virtude do qual Ele tolera os pecadores, a despeito de sua prolongada  desobediência.  A  longanimidade  revela‐se  no  adiamento do merecido julgamento (Ex.34:6; Sl.86:15; Rm.2:4; Rm.9:22; IPe.3:20; IIPe.3:15)

e) Misericórdia: Também expressa pelos sinônimos compaixão, compassividade, piedade, benignidade, clemência e generosidade. No hebraico usa‐se as palavras chesed e racham e no grego eleos. É a bondade de Deus demonstrada para com os  que  se  acham  na  miséria  ou  na  desgraça,  independentemente  dos  seus méritos  (Dt.5:10;  Sl.57:10;  Sl.86:5;  ICr.16:34;  IICr.7:6;  Sl.116:5;  Sl.136;  Ed.3:11; Sl.145:9; Ez.18:23,32; Ex.33:11; Lc.6:35; Sl.143:12; Jó 6:14).

A paciência difere da misericórdia apenas na consideração formal do objeto, pois a misericórdia considera a criatura como  infeliz, a paciência considera a criatura como criminosa; a misericórdia tem pena do ser humano em sua  infelicidade, a paciência  tolera o pecado que gerou a  infelicidade. A  infelicidade e  sofrimento deriva‐se  de  um  justo  desagrado  divino,  portanto  exercer misericórdia  é  o  ato divino  de  livrar  o  pecador  do  sofrimento  pelo  qual  ele  justamente  e

merecidamente deveria passar, como conseqüência do desagrado divino.

f)  Graça:  É  a  bondade  de  Deus  exercida  em  prol  da  pessoa  indigna.  Portanto graça é o ato divino de conceder ao pecador toda a bondade de Deus a qual ele não merece receber (Ex.33:19).

Na misericórdia Deus  suspende o  sofrimento merecido, na graça Deus concede bênçãos  não  merecidas.  Todo  pecador  merece  ir  para  o  inferno;  assim  Deus exerce  Sua misericórdia  livrando  o  pecador  da  condenação.  Nenhum  pecador merece  ir para o paraíso; assim Deus exerce a Sua graça doando ao pecador o privilégio de ir gratuitamente para o paraíso. Essa diferença entre misericórdia e graça é notada em relação aos anjos que não caíram.  Deus  nunca  exerceu  misericórdia  para  com  eles,  posto  que  jamais tiveram necessidade dela, pois não pecaram, nem ficaram debaixo dos efeitos da maldição. Todavia eles são objetos da  livre e soberana graça de Deus pela qual foram eleitos  (ITm.5:21) e preservados eternamente de pecado e colocados em posição de honra (Dn.7:10; IPe.3:22).

g) Amor: A perfeição da natureza divina pela qual Ele é continuamente impelido a  se  comunicar.  É,  entretanto,  não  apenas  um  impulso  emocional,  mas  uma afeição racional e voluntária, sendo fundamentada na verdade e santidade e no exercício  da  livre  escolha.  Este  amor  encontra  seus  objetos  primários  nas diversas Pessoas da Trindade. Assim, o universo e o homem são desnecessários para o exercício do amor de Deus. Amor é, portanto, a perfeição de Deus pela

qual Ele é movido eternamente à Sua própria comunicação. Ele ama a Si mesmo, Suas virtudes, Sua obra e Seus dons.

 

3) Verdade: É a consonância daquilo que é asseverado com o que pensa a Pessoa que  fez  a  asseveração. Neste  sentido  a  verdade  é  um  atributo  exclusivamente divino,  pois  com  freqüência  os  homens  erram  nos  testemunhos  que  prestam, simplesmente por estarem equivocados a respeito dos fatos, ou então por pura incapacidade fracassam em promessas que fizeram com honestas intenções. Mas a onisciência de Deus  impede que Ele chegue a cometer qualquer equívoco, e a sua  onipotência  e  imutabilidade  asseguram  o  cumprimento  de  Suas  intenções (Dt.32:4; Sl.119:142; Jo.8:26; Rm.3:4; Tt.1:2; Nm.23:19; Hb.6:18; Ap.3:7; Jo.17:3;

IJo.5:20;  Jr.10:10;  Jo.3:33;  ITs.1:9; Ap.6:10;  Sl.31:5;  Jr.5:3;  Is.25:1). Ao  exercê‐la para  com  a  criatura,  a  verdade  de  Deus  é  conhecida  como  sua  veracidade  e fidelidade.

a)  Veracidade:  Consiste  nas  declarações  que  Deus  faz  a  respeito  das  coisas, conforme  elas  são,  e  se  relaciona  com  o  que  Ele  revelou  sobre  Si mesmo.  A veracidade fundamenta‐se na onisciência de Deus.

b) Fidelidade: Consiste no exato cumprimento de Suas promessas ou ameaças. A fidelidade  fundamenta‐se  na  Sua  onipotência  e  imutabilidade  (Dt.7:9;  Sl.36:5; ICo.1:9; Hb.10:23;  Dt.4:24;  IITm.2:13;  Sl.89:8;  Lm.3:23;  Sl.119:138;  Sl.119:75; Sl.89:32,33; ITs.5:24; IPe.4:19; Hb.10:23).

Teoria Sistemática